Enem: realidade se impõe frente à ideologia

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Recentemente escrevi que a manutenção do calendário do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) pelo Ministério da Educação, não passava de atitude de cunho ideológico. Nada, absolutamente nada, justificaria a manutenção do cronograma dentro de uma realidade de uma pandemia, em que o Brasil poderá se tornar, em breve, infelizmente, o epicentro mundial. Tal análise pode ser conferida aqui

No artigo anterior, para exemplificar, citei que diversos exames e provas em dezenas de países, foram adiados. A manutenção do Enem só iria sacramentar da pior maneira, as históricas desigualdades educacionais do Brasil. Anteontem, 19, o Senado Federal aprovou o Projeto de Lei 1.277/2020 de autoria da senadora Daniella Ribeiro (PP-PB), que prevê que, em casos de reconhecimento de estado de calamidade pública, seja prorrogada automaticamente a aplicação de provas e exames, como o Enem. A prova estava marcada para os dias 1 e 8 de novembro.

Como dito em outro artigo, a manutenção do calendário do Enem por parte do MEC, tinha a finalidade de apenas agradar o chefe, ou seja, o presidente Jair Bolsonaro. Por esse motivo, conforme apontado aqui, o ministro Abraham Weintraub relutava em mudar as datas. Teve que fazer porque o Senado Federal aprovou a alteração (75 votos favoráveis e um contrário, e este sendo de Flávio Bolsonaro). O PL iria à Câmara no dia seguinte, e por lá, ala governista e oposição, concordam sobre o adiamento. No dia seguinte, ontem (20), o MEC anuncio o adiamento de, pelo menos, 30 dias até no máximo 60 dias, a partir da data original. A comparar com o período que já estamos, no caso do ensino, operando remotamente, dificilmente o Enem ocorrerá em 2020.

O caso é mais um exemplo de como a realidade se impõe frente à ideologia. De como alguns gestores estão fora da realidade, ou caso estejam, a relutam por má-fé. Tal decisão do MEC, mesmo tardia e por pressão, foi a correta. Melhor para a educação e para os milhões de candidatos pelo Brasil.

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