EUA a caminho da crise política?

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Bastou o resultado final das urnas nos Estados Unidos, com a confirmação da vitória de Donald Trump no Colégio Eleitoral, tornando-se o 45º presidente americano, para que a política estadunidense tivesse uma reviravolta. A surpresa foi maior após a constatação de que as pesquisas de opinião erraram. E mais: a apuração mostra que Hillary perdeu a Presidência mesmo recebendo 337.636 votos a mais que Trump. A democrata obteve 60.274.974 votos e o republicano, 59.937.338. 

Embora tenha recebido mais votos populares que Donald Trump, a democrata só venceu em 20 Estados e na capital federal, o que representa 228 votos correspondentes no Colégio Eleitoral. Trump, por sua vez, venceu em 29 Estados e somou 290 votos no Colégio Eleitoral: 20 a mais que os 270 necessários para se eleger presidente. 

Proliferam pelos estados americanos manifestações contra a vitória de Trump. A tendência é que essas manifestações aumentem, podendo chegar a patamares preocupantes. Mesmo com os pedidos de paz e de aceite do resultado em nome da democracia, Barack Obama e Hillary Clinton não conseguem acalmar os ânimos, que parecem cada vez mais exaltados.

Parece que os próprios americanos (incluindo a maioria da imprensa) não se prepararam para de vitória do republicano. Primeiro, porque os institutos de pesquisas apontavam em 90% de suas aferições a vitória da democrata. O que torna mais surpreendente os erros das pesquisas é que nos Estados Unidos é permitido votar com mais de um mês de antecedência, o que torna – na prática – mais fácil a análise real. Segundo, porque se pensava que os discursos e posturas de Trump, iriam automaticamente lhe auto sabotar. Donald não tinha apoio nem do próprio partido.

Mesmo com todas essas contradições, Trump venceu e assumirá o posto mais importante e poderoso do mundo em janeiro próximo. Oito anos de governo Obama não foram suficientes para manter os democratas na Casa Branca. O desemprego ainda é alto e a economia não melhora como esperado. Desta forma, Trump montou o seu discurso e aos poucos consolidando o seu nome. A expectativa global é saber o que o presidente eleito fará? Quais medidas irá tomar? De fato, implementará todo o discurso que construiu na campanha? Ou buscará um caminho mais apaziguador?

A seu favor terá um Congresso de maioria republicana, ao contrário de Obama que governou metade do tempo em intensa “queda de braço” com o parlamento. Portanto, se Trump conseguir construir uma boa relação com os congressistas poderá aprovar o que pretende, inclusive mudar os rumos da economia e política externa.

A questão é saber o quanto poderá contar com o apoio popular. Sua vitória parece levar os Estados Unidos para uma divisão política histórica com possível crise. Pelo visto, os americanos passarão por desdobramentos políticos parecidos com o nosso, com a diferença que lá, o resultado eleitoral foi respeitado, manteve-se os pilares democráticos. Por aqui, a democracia virou um objeto abstrato.

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