Operação do Ministério Público cumpriu mandados em órgãos municipais e chegou à residência do prefeito. Procedimento corre sob sigilo e coloca contratos da gestão municipal no centro das atenções
A sexta-feira (2) começou diferente nos corredores do poder em Marabá. O Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), por meio de sua estrutura especializada de combate ao crime organizado, deflagrou uma operação com cumprimento de mandados de busca e apreensão em endereços relacionados à administração municipal.
E as diligências não ficaram apenas nas repartições públicas. Segundo informações divulgadas pela imprensa regional, a residência do prefeito de Marabá, Toni Cunha, também foi alvo de busca e apreensão.
A operação foi confirmada pelo Ministério Público, mas há um detalhe importante: o procedimento tramita sob sigilo. Por isso, o MPPA ainda não divulgou oficialmente a relação completa dos alvos, tampouco detalhou quais fatos e contratos motivaram a investigação. Mesmo assim, as primeiras informações ajudam a dimensionar o tamanho da movimentação.
Órgãos municipais na mira
Veículos que acompanham a operação apontam diligências em setores importantes da administração de Marabá, incluindo estruturas ligadas à Secretaria Municipal de Viação e Obras Públicas (SEVOP), ao Serviço de Saneamento Ambiental de Marabá (SSAM), ao planejamento municipal e a áreas relacionadas às licitações e contratações públicas.
Também foram noticiadas buscas em endereço relacionado a Ítalo Ipojucan, ligado à área de Obras do município e sogro do prefeito Toni Cunha. É justamente o alcance das buscas que transforma a operação em um episódio político e administrativo de grande repercussão para Marabá.
Não se trata apenas de uma visita do Ministério Público a uma repartição burocrática. Os mandados alcançaram áreas responsáveis por contratos relevantes da Prefeitura e, segundo a imprensa regional, chegaram até a residência do próprio chefe do Executivo.
Contratos entram no radar
As informações publicadas até agora indicam que a apuração pode envolver possíveis irregularidades relacionadas a contratos públicos, licitações e adesões a atas de registro de preços. Entre os negócios citados nas primeiras reportagens aparecem contratos relacionados à iluminação pública e à locação de caminhões destinados à coleta e ao transporte de resíduos sólidos.
Um dos contratos mencionados pela imprensa estaria relacionado ao SSAM e envolveria cerca de R$ 9,2 milhões para locação de caminhões compactadores com motorista.
Aqui, entretanto, cabe uma ressalva indispensável: como o procedimento permanece sob sigilo, ainda não é possível afirmar que todos os contratos mencionados nas reportagens integrem formalmente a investigação do Ministério Público. Essa confirmação dependerá da divulgação da decisão judicial, de manifestação oficial do MPPA ou do levantamento do sigilo.
E Toni Cunha? Politicamente, esse é o ponto que naturalmente chama mais atenção. A residência do prefeito ter sido alcançada por um mandado de busca e apreensão coloca Toni Cunha diretamente no centro da repercussão da operação. Mas busca e apreensão não significa condenação, tampouco permite concluir, neste momento, qual é exatamente a condição jurídica do prefeito dentro da investigação.
Até agora, não há informação confirmada de prisão do prefeito. O que foi noticiado é o cumprimento de mandado de busca e apreensão em sua residência. O próprio Ministério Público evita fornecer maiores detalhes justamente porque a investigação está protegida por sigilo. Portanto, qualquer conclusão definitiva neste momento seria precipitada.
Um detalhe importante
Há ainda um componente que merece ser observado. Em 2025, questionamentos relacionados a atos administrativos da gestão Toni Cunha chegaram ao Tribunal de Contas dos Municípios do Pará (TCM-PA), inclusive envolvendo procedimento relacionado à iluminação pública.
Na ocasião, análise técnica divulgada pelo Tribunal não identificou ilegalidades nos procedimentos examinados. Isso precisa ser registrado porque não é possível afirmar, até agora, que aquele procedimento analisado pelo TCM seja exatamente o mesmo eventualmente alcançado pela investigação atual. São fatos que precisam ser separados.
O silêncio agora fala alto
Operações dessa natureza costumam produzir muito barulho nas primeiras horas e poucas respostas. Hoje, Marabá tem justamente isso: muitas perguntas. Quais contratos estão efetivamente sob investigação? Qual foi a fundamentação apresentada ao Judiciário para autorizar as buscas?
Por que a residência do prefeito entrou no conjunto de endereços alcançados? Quais documentos, computadores, celulares ou outros materiais eventualmente foram apreendidos? E, principalmente: o que o Ministério Público procura dentro da administração municipal de Marabá?
As respostas provavelmente começarão a aparecer quando o sigilo permitir. Até lá, uma coisa é objetiva: o Ministério Público entrou em órgãos da Prefeitura e uma operação de busca e apreensão chegou à residência do prefeito Toni Cunha. Para uma gestão municipal, definitivamente não é uma sexta-feira qualquer.
Imagem: James Oliveira (DOL)




