Jatene começará a alterar o tabuleiro político. Reforma no secretariado sairá em semanas

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O governador Simão Jatene (PSDB) sabe que 2017 será “chave” para as disputas políticas que se organizam para o próximo ano. Reconhece que a avaliação de sua gestão vai de mal a pior. Inegavelmente o governo está parado. E como anunciado pelo próprio governador, o ano corrente não será de obras, ações. Não há recursos suficientes no tesouro estadual. A União também não irá realizar grandes repasses aos Estados, exceto o que é de direito constitucional.

Jatene sabe que a pressão de seus aliados que inclui partidos, empresas e grupos de comunicação aumentam. Com a crise na segurança pública sem controle, sua imagem tende a ficar mais “arranhada”. Portanto, a continuação do projeto de poder tucano no Pará que irá completar duas décadas, segue sério risco de ser interrompido. O “fantasma” de Helder Barbalho toma forma e presença de maneira intermitente.

A saída encontrada pelo governador para segurar aliados, atrair novos apoios e buscar agilizar ações será a velha conhecida “dança das cadeiras”. Ou seja, nas próximas semanas, Simão deverá anunciar novos nomes para o 1º escalão de seu governo. Essa questão parece ser necessária. Semana passada, o então fiel companheiro dos tucanos no Pará, PSD, informou que deixará a base de sustentação política do Palácio dos Despachos. Ordem veio de Brasília, do ministro Gilberto Kassab, criador e quem manda nacionalmente na referida legenda.

Seguindo a lógica descrita, o ex-deputado federal Giovanni Queiroz, presidente do PDT no Pará, assumiu no último dia 16, a pasta estadual de Agricultura e Pesca (Sedap). Lembrando que, em 2012, Queiroz rompeu com Jatene e passou a atacar fortemente o governador. Em 2014, participou ativamente da campanha para governador de Helder Barbalho (PMDB), quando chegou a pedir a renúncia de Jatene. Mas como política é como nuvem, muda a todo momento, isso é passado…. Algo já irrelevante dentro da seara política.

A secretaria mais esperada em termos de mudança é a de Segurança Pública. O General Jeannot Jansen não tem a mínima condição de continuar. O desgaste é muito grande. E Jatene começa a pagar caro por sua manutenção no cargo. O governador deve esperar alguns dias quando anunciará a sua saída em um pacote de nomes, evitando assim críticas isoladas ao general.

A proposta é fortalecer a base política e atrair novas legendas. Para isso, até o segundo escalão do governo do Estado está sendo preparado para os acordos, os atendimentos de demandas políticas. Jatene quer evitar debandada e perda de apoio na Alepa, por conta da baixa popularidade de seu governo.

Além da sustentação política a mudança no secretariado seguirá o objetivo de melhorar a gestão em diversas áreas. Simão quer os novos secretários “tirando leite de pedra”, ou seja, sem recursos, sem gerar novas despesas, tendo atitudes e ideias novas, ações práticas que possam agilizar e diminuir a inércia operacional, a lentidão administrativa que o governo se encontra, bem ao estilo de seu comandante maior. Seguindo a mesma linha de análise, uma reforma administrativa tem como função também, reorganizar as lideranças estaduais em prol do governo. Diversos prefeitos que perderam eleições em seus municípios deverão compor a base governista, estratégia de manter controle eleitoral e “presença” do Estados nas regiões.

A inércia de Jatene começa a ter alto custo político ao PSDB. Parece que o governador está sabotando o próprio partido. Enquanto isso, Helder Barbalho agradece. O ex-governador Almir Gabriel sempre esteve certo ao se referir a Simão. O tempo é o senhor da razão.

 

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