Jatene foi pedir ajuda divina para governar o Pará?

Reproduzo na íntegra o texto abaixo, tornado público em minha coluna semanal no Portal Canaã, último dia 13 do mês corrente. Boa leitura.

O governado do Estado do Pará, Simão Robson Jatene, esteve na última semana em Roma, capital da Itália, mais precisamente no Estado do Vaticano, que ocupa algumas ruas da referida metrópole italiana. O mandatário da política paraense foi a Roma pedir ajuda divina, via Papa Francisco, para governar o Pará? Tamanho é o caos que o segundo maior ente federativo em dimensões territoriais está submetido sob a gestão do tucano.

Na autorização pedido a Alepa para se ausentar do país, o governador informou que iria fazer viagem de férias à Europa, com base em Roma, na Itália, entre os dias 7 e 16 do mês corrente. Simão Jatene também é servidor público, em caráter temporário (período de mandato na qual foi eleito), portanto, deve e precisa tirar uns dias de descanso. A questão é quando? Em que período essa ausência deve ser feita?

O Pará vive um caos na segurança pública. Chacinas ao varejo acontecem corriqueiramente e escancaram o desmando das autoridades da referida área no combate ou, pelo menos, na diminuição da insegurança. Para piorar o cenário, a Polícia Militar do Pará vive a tensão e expectativa de seguir o caminho dos estados do Espírito Santo e Rio de Janeiro, entes federativos que enfrentam paralisações e greves dos PMs. O caso capixaba é bem mais grave e serve de alerta ao país.

No Pará, alguns municípios ensaiam seguir o exemplo dos referidos estados. Em Altamira, o movimento liderado pelos familiares dos policiais tomou mais forma e praticidade, mas parece não evoluir. As reclamações continuam sendo as mesmas: melhores salários e condições de trabalho, haja vista, que mais de duas dezenas de policiais foram mortos no Pará, em 2016.

Existe a possibilidade de a corporação parar suas atividades. O governo trabalha nos bastidores para que isso não aconteça. Na semana passada quando começou a crescer movimentos de greve, o Palácio dos Despachos, avisou que estaria liberando mais um soldo aos soldados e cabos, o auxílio fardamento, já no salário de fevereiro. Fez campanha para mostrar a sociedade que os PMs estão sendo valorizados com a recuperação salarial.

Na atual conjuntura de insegurança, uma greve tornaria o Pará um “faroeste”, com acontecimentos próximos ou até pior do que presenciados no Espírito Santo, além de afundar de vez a imagem de Simão Jatene.

O que parece certo mesmo é a troca do comando na Segurança Pública. Quando Jatene retornar do Velho Continente, o general Jeannot Jansen, deverá deixar o comando da Segup. Essa seja, talvez, a decisão mais esperada no âmbito de mudança no governo que se espera do governador. Não há justificativa que a manutenção do general no cargo.

Não é novidade que o governador Simão Jatene se ausente do comando do Estado em caso de crise ou em situações complicadas. Exemplos não faltam em sua estada no Palácio dos Despachos. Inclusive tal atitude tornou-se a sua marca. Seus auxiliares mais diretos sabem disso e não negam. Não defendem a infeliz e casual coincidência do governador sempre se ausentar em casos mais complexos.

No rito oficial, Simão foi a Itália em audiência pública no Vaticano para convidar pessoalmente o Papa Francisco para comparecer ao Círio de Nazaré em outubro, em Belém. Conforme noticiou em primeira mão em seu blog, o jornalista Lúcio Flávio Pinto, na verdade, a presença na audiência foi pedida pelo ex-arcebispo metropolitano de Belém, agora do Rio de Janeiro, Dom Orani Tempesta.

Inegavelmente a viagem de caráter particular (tanto que o governador anunciou o custeio do deslocamento em seus gastos totais, incluindo o da primeira-dama, do próprio bolso) deveria ter sido cancelada ou adiada. Na atual conjuntura política que o Pará atravessa, o comandante maior deveria ter permanecido no “front de batalha”, articulando, negociando, debatendo, no mínimo se movendo. Ações estas que Jatene parece ter renunciado faz tempo.

Será que Simão reconhece a sua incapacidade de gerenciar o Pará e por conta disso aproveitou e foi pedir uma “ajudazinha” ao “todo poderoso”, usando o Papa como intermediador? Ou foi pedir bênçãos e proteção a sua possível nova empreitada política em 2018: Senado Federal?

Simão Jatene aqui ou lá, no Pará ou na Itália, não parece fazer diferença. O seu distanciamento da realidade é enorme. Como afirmou o jornalista LFP: “ se Jatene resolvesse renunciar ao cargo, não voltasse, ficasse um tempo na Europa, talvez, fosse melhor ao Pará”. E finalizou: “Sr. Governador, não volte”.

Enquanto isso, de Brasília, Helder Barbalho vai governado o Pará. Mas esse tema será abordado em outra oportunidade, em outra reflexão e provocação.

Henrique Branco

Formado em Geografia, com diversas pós-graduações. Cursando Jornalismo.

#veja mais

Pará entre os estados que mais investiram em 2022

O investimento público é fundamental para a melhora da qualidade de vida da população. Através deles, os governos buscam melhor a vida das pessoas, o

Equatorial promove fiscalizações para combater o furto de energia em praias

Durante o verão amazônico, as praias e balneários paraenses ganham uma movimentação intensa de pessoas, não só pela estação que atrai turistas, como também pelas

Instalada CPI da Vale na Alepa

Instalada na manhã desta quarta-feira (26) no auditório João Batista, na Assembleia Legislativa (Alepa), a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que tem o objetivo de

Eleições 2020: pesquisa Doxa em Santarém aponta reeleição de Nélio Aguiar

Apenas dois municípios paraenses ainda estão por definir os seus futuros políticos: Belém e Santarém, este último sendo o terceiro maior colégio eleitoral do Pará.

Entre promessas e estagnação: a gestão de Everton Macias em Nova Ipixuna sob cobrança crescente

A gestão do prefeito Everton Macias Freitas, à frente de Nova Ipixuna, tem sido marcada por um contraste cada vez mais evidente entre o discurso

Federação PP-União avança paralela à fusão do PSDB e Podemos

As decisões tomadas na terça-feira (29) serão decisivas para a dinâmica partidária nas eleições de 2026. No mesmo dia, dois dos maiores partidos do Congresso