Lambança Gerencial

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Desde o início da gestão do presidente Jair Bolsonaro, a Educação foi cooptada pela ala ideológica que o governo. Em pouco mais de um ano, a referida área já está em seu segundo ministro, além de ter ocorrido quatro trocas no comando do Instituto Anísio Teixeira (INEP), órgão responsável pela realização do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM).

Não soa como novidade que Jair Bolsonaro, desde a época da campanha, elegeu a educação como alvo de ação. Precisava-se segundo ele, acabar com o alto teor ideológico, um excesso de direcionamento à esquerda. Neste sentido, se propôs a quebra da autonomia universitária, cortou-se por diversos meses repasses financeiros do governo federal (só regularizado quando as instituições de ensino não tinham condições de arcar com os seus custeios). O governo deixa claro que o caminho percorrido até aqui na gestão educacional do país esteve errado.

Como é sabido, o Ministério da educação está sob o gerenciamento do chamado guro do Palácio do Planalto: Olavo de Carvalho, que fez as indicações dos dois ministros que foram nomeados até aqui. O primeiro, Ricardo Velez, ficou no cargo por apenas 97 dias. Foi exonerado por desgastes depois de sucessivas polêmicas. Em seu lugar foi nomeado Abraham Weintraub, que logo gerou diversas polêmicas por sua narrativa. O atual ministro já demonstrou a sua limitada capacidade intelectual, perceptível, por exemplo, em sua escrita, carregada de erros de português.

De modo geral, a Educação no Brasil é um desastre. Claro que os seus problemas não foram gerados neste governo, o processo é histórico. Mas o governo Bolsonaro, além de não ter melhorado em nada o cenário educacional do país, parece piorá-lo. A agenda do MEC está muito mais pautada no combate à ideologias do que, por exemplo, gestão. E isso se reflete na queda da já baixa qualidade média das escolas brasileiras.

Enem 2019

As desorganizações e lambanças feitas no MEC no decorrer do ano, culminaram nos erros que tornaram-se públicos no caso do Enem. A realização da prova em si, não ocorreu problemas relevantes. Situações contornáveis fizeram com que o ministro anunciasse em alto e bom som que o segundo maior exame educacional do mundo (só perdendo, é claro para o chinês) havia sido um sucesso. Horas depois, milhares de candidatos tiveram problemas ao conferirem as suas notas, em que aparecia a diminuição da pontuação geral. A principio, achou-se que seria algo pontual, erros isolados, mas a proporção aumentou chegando – segundo dados até imprecisos do Inep – há três dezenas de milhares.

Como se não bastasse tal erro aqui citado, o site do MEC para que os candidatos pudessem se inscrever no Sistema de Seleção Unificada (SiSU), ficou por horas fora do ar. Esses erros causaram muitos transtornos aos milhões de candidatos, aos afetados diretamente e aos indiretamente, que ficaram apreensivos com problemas em suas notas e no ato de inscrição nos diversos programas de acesso ao ensino superior.

Abraham Weintraub já demonstrou em diversas oportunidades a sua incapacidade gerencial. Mas os erros e a paralisia que o MEC está submetido há um ano, parece pouco importar ao presidente Jair Bolsonaro. O mandatário da nação quer como auxiliar, pessoas que se importem mais em promover mudanças ideológicas e implementar agenda de costumes, do que na qualidade da gestão.

O pior é que essas lambanças gerenciais custam caro ao futuro do país. A Educação vai de mal a pior. Mas para o presidente está tudo dentro da normalidade. Ideologia em primeiro lugar. 

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