Menos Twitter, mais gestão

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Vivemos algo inusitado na política nacional: o mandatário da nação, o presidente Jair Bolsonaro parece disponibilizar muito mais tempo ao Twitter do que ao ofício presidencial. Ele sempre usou a referida rede social com grande frequência, mas na condição de parlamentar; lembramos que foram 28 anos de pouca produtividade. Portanto, Jair tinha tempo.

Na condição de presidente, esperava-se que Bolsonaro reduzisse a frequência de postagens, ou até que a sua conta fosse operada por assessores ou pela Secretaria de Comunicação (o que geralmente ocorre com um Chefe de Estado). Jair continua usando a conta, que passou a ser divida com o seu filho Carlos. O que se viu foi uma sequência de postagens polêmicas, em que o presidente ou o seu filho tratam de tudo – de assuntos complexos reduzidos a 140 caracteres e comentários de algo corriqueiro, sem necessidade de exposição – e os comentários (quase sempre tratados de forma truculenta, sem a permissão do contraditório) acabam trazendo repercussão negativa ao governo.

Bolsonaro em suas redes sociais não fala a nação, não tem postura de presidente. Trata de assuntos como se fosse um simples cidadão, como eu e você. Fala para agradar o seu público, os seus apoiadores. Sua narrativa transferida para as redes sociais, em especial o Twitter, é de campanha, de embate, quase sempre desnecessário. Bolsonaro não percebe que, na condição de presidente, precisa pela própria liturgia do cargo ser o apaziguador, quem acalma e une, não o contrário.

Entre as suas diversas postagens, a mais polêmica até agora foi a que comentou sobre o carnaval, o papel dos blocos e o que alguns de seus integrantes fazem, e a postagem ainda apresentou um vídeo de conteúdo pornográfico. O presidente foi criticado até por aliados e pessoas próximas. A postagem ganhou o mundo, deixando incrédulos jornalistas e personalidades da política. A dúvida no exterior era se a conta realmente era operada pelo próprio presidente, ou se ela era falsa. O mundo não acreditava que um Chefe de Estado tinha reproduzido tal conteúdo.

Geralmente um Chefe de Estado usa as suas redes sociais para enaltecer, “vender” o país ao mundo, ainda mais se fosse sobre o carnaval, a maior festa popular do planeta. Mas Bolsonaro fez diferente, mostrou para milhões de seguidores que iriam replicar a outros milhões o lado ruim do carnaval, que existe, mas que não caberia ao presidente expor.

Não só Jair cria polêmicas, muitas desnecessárias, mas também a sua prole, em especial o filho Carlos, que realmente é quem domina as redes sociais, em especial o Twitter. Ele mesmo opera a conta oficial do pai, o que não garante o encerramento de polêmicas. Ambos, pai e filho, incitam o embate, como se a eleição ainda persistisse e o palanque ainda estivesse armado.

A sensação é que o governo, ou pelo menos parte dele se resume as redes sociais, ou que gasta precioso tempo, em especial o presidente, enquanto há importantes demandas a serem resolvidas, enfrentadas. Estamos no terceiro mês de governo e pouco se avançou em ações. O presidente precisa governar, twittar menos, se envolver ou promover polêmicas desnecessárias, como a do carnaval. Menos Twitter, mais gestão. O Brasil agradeceria, Sr. Presidente.

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