Michel Temer: o impopular que entrou e sairá pela porta dos fundos

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Falta uma semana para que o governo do presidente Michel Temer termine. No dia 12 de maio de 2016 teve início de forma interina a sua gestão, quando a então presidente Dilma Rousseff foi afastada temporariamente do cargo. Três meses depois, o que era interino tornou-se efetivo, iniciando a “Era Temer”. O novo governo através da narrativa do presidente, seria uma gestão de transição, com o objetivo de reconduzir o país ao desenvolvimento e a recuperação econômica.

O Brasil vivia naquele momento uma grave recessão, com a economia estagnada. Em seu primeiro discurso ao tomar posse, Temer afirmou: “Neste momento se faz necessário um governo de salvação nacional”; e continuou: “É urgente pacificar a nação e unificar o Brasil”; e finalizou: “A moral pública será permanentemente buscada por meios dos instrumentos de controle e apuração de desvios”. Disso isso rodeado de ministros, alguns deles que logo em seguida estariam envolvidos em graves denúncias de corrupção, assim como o próprio presidente, que até o momento foi denunciado três vezes pela Procuradoria Geral da República (PGR). São denúncias de corrupção, de chefiar organização criminosa e obstrução de Justiça. Em sua terceira denúncia, a Procuradora Geral, Raquel Dodge, listou mais cinco crimes que precisam ser apurados em relação ao presidente.

A partir da próxima semana quando Temer deixar o cargo, consequentemente todas essas denúncias descerão para a primeira instância, com a perda do foro privilegiado, tornando, portanto, o presidente um alvo fácil. Ou já está em curso nesta última semana uma manobra, digamos diplomática, para que ele não fique sem a devida proteção, através de um cargo de embaixador em algum país europeu, como se cogita?

O seu governo completará 18 meses, e só não foi um desastre completamente porque a atividade econômica foi retomada, haja vista que o país saiu da recessão; a inflação foi controlada e o teto de gastos foi implementado. Mas, por outro lado, reformas como a da Previdência e o combate ao desemprego não foram bem sucedidos. Em relação aos dois últimos pontos, a falta de sucesso está muito mais ligada a desconfiança geral em relação a imagem do presidente, justamente após os escândalos que o envolviam diretamente no caso da JBS, e que o levaram ao ostracismo, como um “corpo estranho” (conforme abordado no blog) em outro texto.

Não há como ser positivo o balanço de um governo em que seu presidente atingiu o pior índice de popularidade da história e não cumpriu as principais promessas feitas ao assumir o cargo. Temer vive os seus últimos dias de presidente no total isolamento, imposto até por seus aliados. Tornou-se – e não é de hoje – uma figura decorativa. Consequentemente, sem alarde, desligaram-se as luzes do Palácio do Jaburu. Fim.

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