Mortes administradas II

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O Brasil tem 87.058 mortes por coronavírus confirmadas até as 8h desta segunda-feira (27), segundo levantamento do consórcio de veículos de imprensa a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde. Em menos de três dias (com base na média móvel que sempre está acima de mil óbitos por dia) atingiremos 90 mil vidas que foram ceifadas pelo vírus. Mantendo o infeliz ritmo, até o fim da primeira quinzena de agosto, chegaremos a impressionante marca de 100 mil mortos por Covid, isso considerando apenas os dados oficiais. A subnotificação continua sendo uma lamentável marca desde o início da pandemia.

Segundo dados do consórcio, a média móvel de novas mortes no Brasil nos últimos 7 dias foi de 1.074 óbitos, uma variação de 2% em relação aos dados registrados em 14 dias. Sobre os infectados, eram 2.419.901 brasileiros com o novo coronavírus desde o começo da pandemia, 23.467 desses confirmados nas últimas 24 horas. A média móvel de casos foi de 45.715 por dia, uma variação de 22% em relação aos casos registrados em 14 dias.

O que se observa, portanto, são que os casos não diminuem (infectados e óbitos). O Brasil continua sendo o pior exemplo no mundo no combate à pandemia. O governo brasileiro é tido como referência do que não fazer ou agir. Atualmente estamos em um momento em que o cenário epistemológico é distinto a cada região ou ente federativo. No balanço mais recente, 11 estados apresentaram alta de mortes: PR, RS, SC, MG, GO, MS, MT, AP, RO, RR, TO. Os que apresentam instabilidade são: ES, RJ, SP, DF, PA, BA, MA, PB, PI e SE. O Amazonas que há pouco tempo era o epicentro da doença no Brasil, há semanas registra queda, assim como AC, AL, CE, PE e RN.

Desde o início da pandemia, o Governo Federal deixou os estados à própria sorte. O negacionismo do presidente Jair Bolsonaro vem custando milhares de vidas. Só não somos o primeiro no mundo em óbitos e infectados, porque Donald Trump conseguiu ser pior (mas há pontos que precisam ser levados em consideração nesta comparação, como, por exemplo, a população americana ser muito maior do que a brasileira).

O descaso do presidente com a vida alheia, de certa forma contaminou literalmente milhões de brasileiros. A vida por aqui continua como se a pandemia já estivesse no mínimo controlada, com poucas mortes, em números a cada dia menores. Foi assim que os países europeus retornaram gradativamente à rotina (ainda incompleta mesmo meses depois das quedas nos índices). Por aqui, governos estaduais e prefeituras pelo país flexibilizaram seus decretos, liberando setores econômicos e a circulação de pessoas, com a exigência de não ter aglomerações. A fiscalização das autoridades até existe, mas sabe-se que na prática pouco surtem efeito. Ou seja, a máxima do “cada um por si” nunca fez tanto sentido no Brasil.

Continuaremos, pelo menos a maioria, a não ter empatia, mesmo quando os números atingirem 100 mil vidas perdidas. Historicamente por aqui, o valor da vida nunca foi algo tão valioso; o próprio Estado brasileiro nunca demonstrou maiores cuidados com a população, sobretudo os menos abastados. Recentemente o Blog abordou o termo “mortes administradas”, pois nos acostumamos com a perdas de vidas alheias. Cemitérios lotam, enquanto praias e bares também. Essa é a realidade do Brasil.

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