No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho…

No Meio do Caminho

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

A frase que deu origem ao título deste texto é de um dos poemas mais recitados, usado quase sempre para tentar associar a realidade a uma situação de dificuldade, por exemplo, na vida. O poema escrito é de autoria de Carlos Drummond de Andrade. Ele foi evocado por conta de mais uma asneira provocada por um parlamentar da Casa de Leis de Parauapebas.

Na última sessão ordinária da Câmara Municipal de Parauapebas (CMP), a indicação de número 308/2018, chamou a atenção, pois, através dela, a vereadora Kelen Adriana (PTB) solicita ao Poder Público Executivo através do citado documento, a retirada de uma grande pedra localizada em frente a um shopping da cidade. Antes mesmo da indicação ser apresentada na última sessão, 09, tal solicitação já havia levantado polêmica, quando tornada pública pela assessoria de comunicação daquela Casa de Leis, um dia antes da sessão, como praxe. A repercussão foi tão negativa, que a parlamentar resolveu tirá-la da pauta da sessão.

A indicação de remoção da tal pedra é mais um triste exemplo do que alguns vereadores de Parauapebas conseguem produzir. Ou melhor, não produzir em seus mandatos. O custo para manter o Poder Legislativo em Parauapebas é alto. Em termos comparativos, em 2010, por exemplo, foi de R$ 13,9 milhões, e chegou ao topo de gastos em 2016, quando atingiu a impressionante marca de R$ 41 milhões.

No início de 2017, com a nova legislatura, a Casa de Leis teve a redução de seu orçamento em 20% (medida para se adequar a nova realidade do orçamento público municipal, por conta – à época – da queda na arrecadação), medida de austeridade que já havia iniciado na presidência do vereador Braz. No ano passado, a CMP custou aos parauapebenses R$ 29,6 milhões, valor de fazer inveja a milhares de Casas de Leis municipais espalhadas pelo Brasil.

A título de comparação, a Câmara Municipal de Guarulhos, o segundo maior município paulista em população, com 1,3 milhão de habitantes (IBGE, 2018), custou em 2015, R$ 36,6 milhões; enquanto a nossa, naquele ano chegou a 37 milhões de reais. A municipalidade paulista tem seis vezes a população de Parauapebas e sua Câmara, mais vereadores (36 parlamentares, mais de duas vezes o total dos legisladores parauapebenses). Com um legislativo tão caro, e ao mesmo tempo tão ineficiente na fiscalização de serviços essenciais básicos como saúde, educação, saneamento e segurança pública, Parauapebas padece perante os seus problemas, enquanto o trem continua passando…

No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meu do caminho. Pobre cidade rica…

Henrique Branco

Formado em Geografia, com diversas pós-graduações. Cursando Jornalismo.

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