Normando e a gestão aquém do esperado. O risco para a disputa eleitoral. A intervenção do mandatário estadual

O que era tratado de forma reservada, nos bastidores, internamente, passou a ser público: o descontentamento do cúpula do MDB paraense com a gestão de Igor Normando na Prefeitura de Belém. Meses depois da posse, a COP30 encarada como um grande teste ao novo alcaide da capital paraense. O que se viu foi uma postura apagada, como se Belem não tivesse um gestor, fosse administrada, por exemplo, pelo governo do Pará.

Pode-se argumentar que o citado evento é gerido pela Organização das Nações Unidas com apoio do Estado Nacional e subnacional do país sede, mas a Prefeitura de Belém passou à margem do debate político. Esse ponto chamou a atenção e ligou o alerta sobre a gestão do primo do governador.

Interferência Pernambucana 

Igor Normando é casado com a ex-deputada estadual Fabíola Cabral (agora Normando), filha de Lula Cabral, prefeito de Cabo de Santo Agostinho, pequeno município localizado na Região Metropolitana de Recife. Não é de hoje que se fala da forte influência da Família Cabral na gestão da capital paraense, interferindo diretamente no dia-a-dia, incluindo nomeações de outros membros da referida parentada.

O que se fala nos bastidores é que Igor Normando quer lançar a esposa para o parlamento estadual, mas que tal pretensão não teria sido bem avaliada pela cúpula emedebista, mas que passou a ser o maior objetivo a curto prazo de Normando.

A gestão da capital paraense segue em “ponto morto”, e tal inércia começou a preocupar o governador Helder Barbalho, justamente por ser ano eleitoral. Um levantamento do Instituto Veritá realizado em dezembro de 2025, colocou Igor Normando em 22º lugar entre os prefeitos de capitais, com apenas 36,3% de aprovação. A pesquisa avaliou 51 serviços municipais.

O receio emedebista é que a campanha ao governo do Pará concentre a disputa entre as gestões municipais de Ananindeua e Belém. Neste quesito, Daniel Santos levaria vantagem pelo volume de obras entregues em sua gestão. A comparação deverá ser feita, mas é injusta, pois Santos está finalizando o seu segundo mandato, todavia, em disputa política, o que vale é a narrativa.

Não se pode desconsiderar o poder decisivo eleitoral da capital paraense na disputa estadual. Helder sabe bem disso, tanto que à sua derrota em 2014 foi creditada ao eleitorado belenense.

Informações dão conta que o governador chamou o atual prefeito de Belém para uma conversa ao “pé do ouvido”, com teor de cobrança, com possibilidade de maior intervenção, o que vem sendo feito desde o ano passado, processo este que chamei de estadualização gerencial”.

A eleição de Hana Ghassan passa, indiscutivelmente, pela gestão da capital paraense. Normando está sob pressão. O perfil “tik tok” destoa da realidade e a população percebeu.

Imagem: reprodução 

Henrique Branco

Formado em Geografia, com diversas pós-graduações. Cursando Jornalismo.

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