O antipetismo virou patologia social

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Deixo
claro neste texto que não defendo corruptores, ou seja, independentemente de
partido, quem desvia dinheiro público deve pagar por isso, inclusive se for do
PT. A proposta deste texto é analisar o cenário político e os movimentos
sociais, dentre eles o aumento do antipetismo. Por que o antipetismo aumentou
tanto? Ele realmente é real? Quem o sustenta? Por que cresceu? Essas indagações
irão nortear esse texto. Vamos ao debate.

Não
é de hoje que sempre quis escrever criticamente sobre o título deste texto.
Começava a redigir, lia, não achava apropriado e sempre apagava. Ao terminar pensava
que não haveria a necessidade de associar críticas, oposição e discordâncias
com doenças ou com distúrbios de comportamento. Pensava que deveria – como formador
de opinião – garantir o direito do contraditório e da crítica.
Mas
depois dos últimos acontecimentos que a oposição no Brasil vem propondo e tendo
apoio de grande parte da mídia como, por exemplo, a intervenção militar e no
último domingo o chamado “panelaço”, quando a elite de várias cidades brasileiras,
especialmente as mais ricas, se colocaram em suas sacadas e bateram em panelas.
Qual o efeito disso?
O
ato por si só não muda muito, até porque foram pequenos nichos que promoveram
essa manifestação contra o pronunciamento da presidenta Dilma. Mas vale para
analisar o comportamento e o nível que chegou ou ainda chegará o antipetismo no
Brasil.

Desde
quando o PT chegou ao poder em 2003 que a crítica e seus opositores o
acompanha. A mídia sempre atacou o partido diuturnamente, mas a base
política-eleitoral da referida legenda sempre se manteve, com oscilações, mas a
maioria sempre esteve com o PT. Lula por ter chegado à presidência sendo um
torneiro-mecânico de formação se acostumou as mais baixas baixarias com o seu
nome. O tentam matar o tempo todo.
Com
Dilma não é diferente. A ofendem de todos jeitos com vocabulário bem extenso e
com baixarias escabrosas. E de quem parte isso? Dos que, teoricamente, mais
estiveram acesso ao estudo, à formação escolar. A nossa elite nunca aceitou que
um partido de esquerda, com um presidente sem diploma universitário conduzissem
o país e fizessem grande avanço social, tirando milhões da extrema pobreza. A
ONU reconhece isso, mas milhares de brasileiros não.
Nos
primeiros anos do PT no poder o antipetismo era restrito. Existia uma oposição
sem rumo, e os opositores ficavam nas primeiras camadas sociais, os mais ricos
gritavam sozinhos. A base petista com a esmagadora maioria da população abafava
qualquer movimento. Não havia movimento social ou apoio popular. Quando a mídia
percebeu isso, aumentou os seus ataques e se utilizou de parcerias com
Judiciário para fazer valer a sua influência na população com menos informação
e discernimento. Alguns nomes do PT morderam a isca e caíram. Assim o
antipetismo foi subindo.

Aumentou
assustadoramente com o governo Dilma. Talvez, a imagem e história de Lula blindassem
o partido e o governo de maiores manifestações. Com Dilma é diferente. O seu
governo claramente não manteve o mesmo nível de qualidade do seu antecessor.
Temos que reconhecer que o governo Dilma “escorregou” na condução da economia e
hoje, já no segundo mandato, podemos estar caminhando para uma crise econômica
e as medidas recém-adotadas não surtirem o efeito esperado.
Então
por que o antipetismo é patológico? Costumo dizer que muitos que se colocam
contra o PT nem sabem o porquê tomaram tal posição. Muitos nem se quer sabem
defender a sua posição e não possuem argumentos para manter a sua crítica ao
partido. São contra porque são; simples assim.
Quando
converso com algumas pessoas que se colocam na posição antipetista, sempre
quando questionadas, soltam frases prontas: “porque o PT é corrupto”. Oras,
será que pensam que só o referido partido é assim? Ou que lidera no segmento
negativo? Ou a corrupção começou com o PT?

Muitos
que se intitulam antipetistas são meros reprodutores de frases e
comportamentos. Não se dão ao trabalho de analisar o contexto ou as informações
que recebem. No caso da corrupção, por exemplo, no site Transparência Brasil, o
PT aparece em 9º em relação aos parlamentares que respondem a processos. O PSDB
(blindado pela mídia) é o terceiro, com mais do que o dobro dos petistas. Mas a
mídia faz você pensar o contrário.
O
que é preocupante é o antipetismo avançar sobre as camadas mais populares a
base do PT e que sustenta o partido no Palácio do Planalto. Essa questão
abordei em outro post: “O PT sofre dos
próprios avanços e conquistas”.
O PT mudou a vida de milhões de brasileiros
para melhor. A questão hoje é que esses milhões que ascenderam socialmente,
querem mais, não se contentam com o que tem hoje e já esqueceram quem os
garantiu esses avanços. Por isso o PT precisa avançar, propor ações diferentes,
avançar sobre outras camadas.
O
antipetismo é patológico por sua caracterização social. Mas se não for
combatido, se tornará algo latente, movimento forte e com base. Enquanto isso,
como sempre, o Palácio do Planalto assiste passivamente os movimentos. Ou se
combate a patologia ou a doença entra em estado terminal.

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