O Bolsonarismo vencerá em Belém?

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No retrospecto eleitoral da disputa pela Prefeitura de Belém, tendo como base os pleitos de 2012 e 2016, em ambos, os resultados ao fim da apuração de 1º turno foram acirrados, porém em cenários invertidos. Em 2012, Edmilson Rodrigues (Psol) terminou em primeiro, com 32,58% dos votos válidos. Seguido de perto por Zenaldo Coutinho (PSDB), que somou 30,67%. No segundo turno, o tucano se elegeu pela primeira vez prefeito de Belém.

Em 2016, o embate entre ambos se repetiu. O então prefeito Zenaldo Coutinho (PSDB) que disputava à reeleição, terminou em primeiro, com 31,02%; tendo Edmilson Rodrigues (Psol) em sua cola, somando 29,50%. Novamente no segundo turno, o candidato pesolista foi derrotado.

Quatro anos depois, em 2020, Edmilson Rodrigues se lançou novamente candidato ao Palácio Antônio Lemos. Desta vez, não teria pela frente o seu algoz Zenaldo Coutinho. A disputa poderia ser com o candidato apoiado pelo governador Helder Barbalho, ou seja, a máquina estadual estaria ocupando o espaço da municipal, haja vista que o candidato Thiago Araújo (Cidadania), o escolhido pelo atual prefeito, não se mostrou competitivo em nenhum momento.

Todavia, no final da apuração, as máquinas estadual e municipal ficaram de fora. Como já dito pelo Blog na semana da eleição, as pesquisas registravam aumento do candidato Eguchi (Patriota), mas não em volume suficiente para colocá-lo no segundo turno. Porém, ao final da apuração, foi quem chegou em segundo, desbancando o favorito José Priante (MDB), que tinha como cabo eleitoral o governador Helder Barbalho.

Pois bem, como todos sabem, segundo turno é uma nova eleição. Há muitos casos em que ocorreram viradas. Da mesma forma, o contrário é verdadeiro. No caso de Belém, a primeira pesquisa deste segundo turno foi feita pelo Ibope. O cenário é preocupante a quem apoia direta ou indiretamente o candidato Edmilson Rodrigues (Psol). Apesar de aparecer na liderança, de ter crescido, sua vantagem é mínima. Eguchi cresceu muito mais, e parece manter tendência de crescimento.

Rescaldo Bolsonarista

Estava mais do que claro que, sem Eder Mauro (PSD) na disputa, alguém se colocaria na condição de candidato do presidente Jair Bolsonaro. Por posicionamento e formação, Eguchi assumiu esse papel, e, sem dúvida, isso o fez crescer. Em consulta ao banco de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Bolsonaro teve quase o dobro de votos do segundo colocado na eleição presidencial de primeiro turno, em Belém, obtendo 43,18%. No segundo turno atingiu 54,93%. Portanto, esse crescimento do candidato do Patriota está associado ao lastro bolsonarista.

Rejeição de Edmilson

Apesar de ter liderado em todas as pesquisas realizadas no primeiro turno, o candidato do Psol esteve também na frente em outro quesito: rejeição. E isso não é de agora, as duas últimas derrotas (2012 e 2016), Rodrigues também manteve índices altos. Isso ocorre por diversos motivos: críticos de suas gestões como prefeito, o desgaste do campo da Esquerda e o avanço do conservadorismo. Esses apontamentos se confirmam nos levantamentos recentes, em que Edmilson liderava em rejeição, seguido por Priante (desgaste ligado ao governador Helder Barbalho) e em terceiro aparecia Thiago Araújo (carregando o pesado “fardo” de ter sido indicado pelo prefeito Zenaldo Coutinho). Em quinto aparecia o candidato do Patriota, delegado Eguchi.

Em cima do muro

Outro ponto que reforça o crescimento do candidato bolsonarista é a postura dos candidatos derrotados. José Priante (MDB), que terminou em terceiro, não apoiará ninguém no segundo turno, assim como Thiago Araújo (Cidadania) e Cássio Andrade (PSB). No caso de Araújo, ocorreu um fato interessante: o seu partido decidiu apoiar Rodrigues. O jovem deputado estadual afirmou que respeita a decisão do colegiado, porém se manterá neutro. Na teoria, esse volume de isenção, ajuda ao candidato que está com tendência de crescimento, pois o eleitorado das candidaturas derrotadas, tende a acompanhar os números que mais crescem (confirmados pelas pesquisas Ibope e Doxa).

A fórmula do Outsider 

Delegado Eguchi não tem experiência e nem preparo para sentar na cadeira política mais importante de Belém. Isso é fato. Na teoria, essa falta de currículo, deveria tirá-lo de qualquer possibilidade de vitória. Na prática, não é assim que funciona. Todos os fatores expostos aqui o sustentam (identificação com o eleitor de Bolsonaro, candidato da segurança pública, combate à corrupção e rejeição de seu adversário), e o fazem competitivo, mesmo prometendo ações irrealizáveis e produzindo narrativas fantasiosas, que não encontram nenhuma relação com a realidade. Todavia, fatores como “novo” e “mudança” ainda ditam o ritmo. É a “nova” política suplantando a “velha”.

As gestões de Edmilson Rodrigues no Palácio Antônio Lemos não foram, obviamente, perfeitas. Porém, foram as que mais receberam prêmios e reconhecimento desde o processo de redemocratização. A questão que se coloca hoje é: depois de quatro gestões desastrosas (duas de Duciomar Costa e duas de Zenaldo Coutinho), a maioria do eleitorado  da capital paraense, apostará em algo incerto? Belém resistirá a um Eguchi?

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