O bom exemplo de Tião Miranda

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Ao fim da eleição de 2016, uma certeza: o então candidato eleito Tião Miranda teria uma missão difícil, pois estaria assumindo nos meses seguintes um município “quebrado”. Depois de duas gestões desastrosas, Marabá vivia um cenário de “terra arrasada”. Informações repassadas ao blog constam que a nova gestão ao assumir encontrou seis meses de salários atrasados (sete mil servidores); Prefeitura sem crédito na praça local e sem condições de fazer convênios com os governos estadual e federal (sem poder receber emendas de ambos); Dívida de 30 milhões de reais do Ipasemar (Previdência dos servidores municipais) e limpeza pública paralisada. Só para citar os casos mais graves.

A situação era tão alarmante que o prefeito eleito Tião Miranda pensou em desistir e não assumir a Paço Municipal. Depois refez da decisão sentou na cadeira de prefeito. Hoje, dois anos depois, Marabá está virando referência em gestão pública não só para a região como para o estado. Segundo levantamento enviado pela Secretária de Comunicação da prefeitura, há diversas obras em várias áreas (Saúde, Educação, Infraestrutura, etc) em andamento, e outras já entregues, mas que o blog achou melhor não publicitá-las, por não ser o objetivo deste artigo. Mas o material enviado por e-mail a este blogueiro, pelo tempo de gestão, o volume de ações é de se elogiar.

O maior feito do prefeito Tião Miranda é, sem dúvida, a saúde fiscal e financeira de sua gestão. Ele recebeu uma prefeitura endividada e estourada, com relação à despesa com pessoal, perante a lei. Segundo levantamento do Blog do Zé Dudu, a gestor anterior de João Salame, deixou Marabá com folha de pagamento na casa de R$ 385,79 milhões, o correspondente a 56,41% dos R$ 683,89 milhões em receita líquida apurados naquele ano.

Ainda na exposição de números, o referido blog constatou que, por causa da “herança maldita”, Tião entrou em 2017 repercutindo os feitos e efeitos de seu antecessor, ainda assim tendo conseguido, já de início, derrubar o comprometimento da receita para 54,61% em abril. No final de agosto, a margem caiu mais um pouquinho, para 54,04%. E, de forma brilhante, encerrou aquele ano no percentual de 49,26%, bem abaixo dos limites máximo (54%) e prudencial (51,3%).

Em 2018, o ano foi ainda melhor, com um ponto de equilíbrio que não ultrapassou 49%. E foi encerrado em percentual que não avançou sequer o limite de alerta, cuja sirene é ligada quando o gestor compromete 48,6% da receita com a folha. Em termos comparativos, Tião desembolsa pontualmente hoje com a despesa dos 9.290 servidores da administração e com os 840 do Instituto de Previdência Social dos Servidores Públicos do Município de Marabá (Ipasemar) o mesmo valor que João Salame gastava três anos atrás, segundo dados postados no Blog do Zé Dudu.

Segundo o jornalista André Santos, apenas R$ 150 milhões de receita líquida do orçamento de R$ 800 milhões da Prefeitura de Marabá vêm da Vale, por meio de impostos e compensações. Em comparação, por exemplo, com Parauapebas, que tem orçamento de R$ 1,15 bilhão, desse montante, 800 milhões de reais vêm da Vale, ou seja, segundo Santos, o repasse da mineradora aos cofres públicos da “capital do minério” é o orçamento total do ano corrente da “capital do cobre”, com uma população superior ao seu “ex-filho” rico.

Portanto, a gestão de Tião Miranda é uma “ilha” em meio a um oceano de gestões complicadas. Sua gestão não inventou a roda, apenas vem promovendo ações sérias, de austeridade, de controle, e “faz mais, com menos”. Que a atual gestão municipal de Marabá sirva de exemplo a outras municipalidades. Para se começar a fazer um bom trabalho, basta não promover apologia à incompetência. Algo muito recorrentes nas prefeituras por esse Pará continental.

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