O ódio está vencendo. Caminhamos para a barbárie

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Desde quando Dona Marisa Letícia deu entrada no Hospital Sírio Libanês, há exatos dez dias, que eu já esperava manifestações de ódio de diversos segmentos, sobretudo, os de maior renda. O que, de fato, aconteceu, até em doses cavalares, com pitadas de desumanidade que impressiona.

O que esperar de uma sociedade em que muitos dos seus indivíduos, a maioria de classe alta, que tiveram uma boa base educacional (pelo menos na teoria), mas que desejam a morte de uma pessoa? O que leva um ser humano a desejar, por exemplo, que uma senhora em uma UTI de hospital, “abrace o ‘capeta’? ”

Perdemos totalmente a noção de civilidade, minimamente que seja. Uma opção ideológica, uma filiação partidária, nos dias atuais está acima da vida. Dependendo da sua escolha, pode-se correr risco de morte ou não ter um atendimento satisfatório. O ódio a um partido político, neste caso o PT, mostra o rancor e a reforça a tese da luta de classes. Ingenuidade é achar que essa disputa classista não exista na prática ou que seja restrita aos escritos de Karl Marx. Ela está escancarada em nosso dia-a-dia e parece ser cultuada. Uma disputa diária pela sobrevivência, fomentado pelo capitalismo.

No Brasil temos uma elite perversa, antipatriótica, bem limitada intelectualmente e que tem pavor da ascensão social dos menos abastados. Basta ler Sérgio de Hollanda e a sua obra mais famosa: “Raízes do Brasil”, obra que consiste de uma macrointerpretação do processo de formação da sociedade brasileira. A tese central é a de que o legado personalista da experiência colonial constituía um obstáculo, a ser vencido, para o estabelecimento da democracia política no Brasil.

Desta forma se populariza a normalidade em relação à violência, ao crime, à matança, a morte de forma geral. Clichês como: “bandido bom é bandido morto”, “antes ele do que eu”, mas desde que não seja da minha família… E por aí vai. Talvez, de forma inconsciente estimulamos a violência, que transborda em sua fase mais perversa: o ódio. Este sentimento negativo está impregnado ao varejo em nossa sociedade e na era do crescimento e domínio (de forma quantitativa) das igrejas, independente de religião.

No caso do PT, em 2015, escrevi texto sobre o crescimento do “antipetismo”. Havia uma onda de críticas ao referido partido, inclusive com claro estimulo à violência. Esse sentimento o intitulei de “patologia social”. Tal referência ao processo se dava – em alguns casos – por conta da justificativa ou, em alguns casos, sem ela, para ser contra ou odiar o PT. A maioria que se diz contra não apresenta uma linha de raciocínio que sustente tal sentimento ou postura. Parecem terem sidos programados parem negarem qualquer objetivo ou pessoa que esteja de vermelho ou o número 13. Isso já é suficiente para despertar ojeriza.

Não tenho objetivo com está reflexão e provocação, defender o Partido dos Trabalhadores. Pelo contrário, reconheço diversos erros e os critiquei em mais de uma dezena de textos que escrevi. Inclusive despertei a ira de alguns “companheiros” por ter sido “ácido” com a legenda. O PT paga alto preço por erros que cometeu. O antipetismo é nutrido por diversas fontes: mídia, judiciário e erros do próprio partido. Essa tríade é a base de sustentação para a repulsa coletiva que o PT vive e aos que fazem parte dele.

Dona Mariza é só mais um exemplo. Em coma teve a sua morte desejada, pedida, orientada, como feito pelo o neurocirurgião Richam Faissal Ellakis, que apontou em rede social o procedimento que deveria ser feito pelos médicos para a ex-primeira dama “abraçar o capeta”. Um profissional que deveria zelar pela vida, conforme juramento prestado, foi quem didaticamente orientou o que poderia ser feito para matar uma pessoa. Isso é normal? Não pode ser encarado como um homicídio? Uma barbárie.

Caminhamos para a barbárie e que vai muito além dos limites da seara política. Ela é só um exemplo, talvez, atualmente o mais emblemático. Mas no cotidiano o humanismo vai se perdendo. Se para a maioria o ano de 2016 foi ruim, cheio de fatos negativos, conforme avisei. O ano de 2017 promete seguir pelo mesmo caminho, talvez até pior. Não se trata de ano, calendário, data, e sim postura como ser humano. Erramos enquanto evolução humana? Precisa de reset? A barbárie é o único caminho?

4 COMENTÁRIOS

  1. Muito bom Branco. Hoje percebemos os valores e princípios como algo sem valor. Infelizmente essa è a realidade de nossa sociedade meritoclassista.

  2. Que a sociedade tem si tornado cada vez mais insensível isso é óbvio. Agora usar isso que é processo muito amplo para fazer de vítima certa linha ideológica, discordo.

  3. Penso sempre nessa onda de violência e sinceramente achava que era só onda, mas está se consolidando e mostrando o quanto de preconceito alimenta nossas desigualdades.

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