O PT na Venezuela. Em nome da ideologia o “tiro no pé”

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Se já não bastasse a péssima fase que vive o Partido dos Trabalhadores, claramente em franco declínio político, a sua presidente nacional, a senadora Gleisi Hoffmann, esteve ontem (10) na Venezuela, por ocasião da posse do presidente Nicolas Maduro. A decisão de ir ao país vizinho na atual conjuntura política não só vivida por aquele país, mas também pela citada legenda partidária, é um verdadeiro “tiro no pé”. E pior, dado pelo próprio partido.

A estada de Hoffmann criou um levante de críticas, não só do lado da oposição ao PT, o que é óbvio que aconteceria, mas pelo lado de quem apoia ou simpatiza com o partido. Tal decisão alimentará adversários petistas por um bom tempo. Irão ter como base a ligação da legenda com um regime ditatorial (sem entrar neste texto no mérito se, de fato, é) e deverá criar mais problemas a já arranhada imagem do partido perante a sociedade. Lula, o seu maior líder está preso, e assim deverá continuar a ficar. A presidente da legenda em uma cerimônia com poucos representantes de países (o que demostra o isolamento político do regime de Maduro), era tudo o que o PT menos precisava neste momento.

Após a derrota nas urnas o partido continua sem rumo. Não aceita integrar um bloco ou nenhum grupo suprapartidário de oposição ao governo Bolsonaro. Quer manter – a todo custo – o seu monopólio à esquerda, mesmo com as circunstâncias reais sejam extremamente desfavoráveis ao partido.

O que sobrou? O ex-prefeito de São Paulo e ex-candidato a Presidência da República, Fernando Haddad, que diga-se de passagem, é o melhor nome dentro do PT, e isso dito por esse blogueiro desde 2014. Haddad se mantém na posição definida por Lula, como sendo o representante da oposição ao novo governo. A narrativa do professor universitário é dura (aprendeu a elevar o tom, saindo do formato professoral, acadêmico), mas de pouca ressonância na sociedade.

O PT deveria se reorganizar internamente. Definir novos rumos e ações. Deixar – pelo menos – a princípio o discurso e postura ideológica. Promover uma autocrítica aos anos que ficou no poder, escrachando – se possível – algumas posturas cometidas por alguns de seus pares. A presença na posse de Maduro de nada ajuda o partido. Não passou de uma retórica ideológica, nada mais. Mas servirá para aumentar ainda mais as críticas a legenda, afundando ainda mais a imagem do partido. Que, aliás, Lula de sua cela, já vem fazendo.

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