O PT paraense tenta renascer*

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*Tema de minha coluna semanal no Portal Canaã.

Uma das resoluções da direção estadual do Partido dos Trabalhadores no Pará (assim como em todo o Brasil) após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff foi reavaliar o cenário político, reorganizar-se internamente e reaproximar-se com as bases, sobretudo, os movimentos sociais.

Com a possibilidade real do ex-presidente Lula torna-se impedido pela Justiça de concorrer na eleição presidencial, o PT novamente ficaria refém do “lulismo”, ou seja, sem um nome competitivo (especula-se que o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, deverá ser o substituto – caso – Lula não possa ser candidato). Depois de muito atraso, o partido resolveu sair das cordas e fazer a réplica, o contraponto da caçada midialística que a agremiação partidária sofre de forma sistêmica diariamente.

No Pará, por exemplo, o PT conseguiu chegar ao poder central estadual na eleição de 2006, quebrando uma sequência de três governos do PSDB. Na ocasião, o ex-governador Almir Gabriel (PSDB) disputou e perdeu para a petista Ana Júlia Carepa, com fundamental importância do PMDB, particularmente de Jáder Barbalho, que ao decidir apoiar a petista, sacramentou a derrota dos tucanos naquele ano. O comando petista na política paraense durou um mandato, quatro anos. Ter chegado ao governo do Estado trouxe mais problemas políticos ao partido do que antes da vitória histórica. O PT paraense se apequenou e foi desidratando homeopaticamente após deixar o Palácio dos Despachos, muito se creditou ao governo, muito questionado e com baixo nível de aceitação popular.

Exemplo disso foram as eleições seguintes: 2012 para a Prefeitura de Belém, 2014 para o governo do Estado e novamente, em 2016, para o paço municipal belenense. Em todas essas eleições, a quantidade de votos alcançados pelo partido foram muito aquém de quem em anos anteriores controlava o governo do Estado. O PT do Pará sofreu também a reboque do próprio desgaste do partido a nível nacional.

De olho nas próximas eleições, em 2018, o PT especificamente no Pará, começa a se mover. O diretório estadual colocou o “time na rua” com as suas principais lideranças (senador, deputados federais e estaduais), juntou as tendências internas e promove diversas ações pelos municípios paraenses. Nos encontros ocorrem posses dos dirigentes municipais e fazem política, através de discursos e debates, defendendo o legado nacional do partido e apresentando a candidatura de Lula. Claramente querem acordar a descrente militância e mudar a cara do partido, reconquistar espaços político e eleitoral.

Lideranças regionais petista estiveram, por exemplo, em Parauapebas no último sábado (05) dando posse aos novos dirigentes locais. A exemplo de outros municípios, o PT parauapebense está sem rumo. Diversas decisões tomadas pela antiga direção levaram o partido a perder muitos espaços políticos e desidratar politicamente. A legenda chegou a ter três vereadores na última legislatura, ou seja, 1/5 das cadeiras da Câmara Municipal e hoje nenhuma representação política.

Resta saber se o movimento que o partido iniciou pelo território paraense será capaz de reconquistar espaços, pelo menos, nas municipalidades. A nível estadual, na disputa pelo governo do Pará, os paraenses novamente assistirão o embate entre o PMDB e PSDB, a bipolaridade que se formou com a derrocada política petista no Pará. Vamos aguardar.

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