Palácio dos Despachos: entre os números, discursos e a realidade

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Ontem
li na blogosfera paraense, exclusivo aos que escrevem e publicam informações
favoráveis ao governo Jatene, reprodução da matéria publicada no final de
semana no jornal Folha de São Paulo, caderno Poder, sobre os governos estaduais
e suas contas.
A
matéria listou que dos 27 governadores, 18 deles fecharam o ano no vermelho, ou
seja, com déficit em suas contas. E precisarão tomar medidas “impopulares” para
reajustar os seus respectivos orçamentos. Apenas oito governos estaduais
apresentaram as contas no “azul”, ou seja, com superávit orçamentário. Como o
cenário não é favorável, o Palácio do Planalto, via Ministério da Fazenda,
monitora tudo de perto e acompanha as medidas que estão sendo tomadas pelos
governadores.
Mas
não foi exatamente o cenário orçamentário das gestões estaduais que me levou a
escrever este texto. Até poderia, mas o meu estimulo foi outro. A relação das
gestões em “azul”, com as contas em dia, apareceu o governo de Simão Jatene. O
Pará aparece ao Brasil como um exemplo de gestão. A imagem passada é de uma
gestão invejável, a ser seguida, frente ao grande grupo de governos
endividados. De fora, longe do Pará, o governador Jatene deve receber aplausos
e muitas menções de sinônimo de competência e responsabilidade.
Aqui,
no Pará, a história é outra, bem diferente. Vamos à realidade. Realmente não há
como negar que as contas do governo Jatene foram fechadas no “azul”, com
superávit. Mas como conseguiu esse “feito”, em um estado tão problemático e com
infinitas demandas como o Pará? Simples, cortando drasticamente os
investimentos.
O
blog publicou diversos textos sobre essa questão dos recordes negativos que o
governo Jatene ostentou nos últimos anos. O governador tucano bateu recorde
negativo de 17 anos em relação ao investimento. Nos seus dois primeiros anos da
gestão anterior (2011-2012) as ações do governo na área ficaram em 5,4%, a
menor da região norte. Nos dois anos seguintes subiram dois dígitos.
Simão
Jatene em sua última gestão, fez o pior governo do PSDB no Pará, dentro da
dinastia tucana. Conseguiu (dados oficiais) investir menos do que a gestão de
Ana Júlia (PT). Com uma grande diferença e que faz tudo mudar favoravelmente ao
governo e ao balanço divulgado: recordes de arrecadação. A Sefa no último
governo Jatene combateu a sonegação e fez arrecadação do tesouro estadual
crescer bem acima da média nacional.
A
conta é simples: menos investimentos, mais arrecadação, custeio sob controle,
as contas obviamente tendem a fechar no azul, obtendo superávit orçamentário.
Como se percebe, a divulgação dos balanços das gestões estaduais pelo Brasil,
sem análise criteriosa, favorece ao governo estadual tucano no Pará. Sem
investimento é fácil atingir metas positivas em balanços orçamentários.

Como
sempre há enorme diferença entre a realidade, os números e discursos. No
Palácio dos Despachos vem sendo assim nos últimos anos.

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