Parauapebas e a falta de “espírito público”

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No dia 09 de dezembro de 2016, os vereadores eleitos para a atual legislatura (2017-2020) em Parauapebas foram diplomados na sede da Justiça Eleitoral do referido município. Conforme escrevi à época, o encontro que teria o perfil festivo (aos convidados dos eleitos) por conta da solenidade de posse, foi quase substituido por um verdadeiro parlatório, através de muitos sermões da juiza eleitoral, Eliene Vieira.

Na ocasião, a referida magistrada expôs toda a sua preocupação com atuação dos vereadores (metade das cadeiras legislativas foram ocupadas por reeleitos), devido aos sucessivos desmandos que vinham ocorrendo na gestão passada. A magistrada relacionou ao fato que a maioria dos vereadores terem se tornado donos de secretarias municipais e delas faziam o que queriam.

Em sua fala, à época, o promotor Hélio Rubens, voltou a tocar no assunto e igualmente teceu diversas críticas à referida prática que se tornou praxe nas relações institucionais em Parauapebas. É desta forma – sob pressão – que iniciou os trabalhos legislativos, em 2017. Não demorou e os casos nada republicanos, ou, no mínimo, imorais, viriam à tona.

A vereadora Francisca Ciza (DEM), por exemplo, desafiou as leis da Física e mostrou-se com poderes sobrenaturais ao comparecer ao mesmo tempo em lugares diferentes, distantes. Recebia proventos como professora e vereadora, em ocasiões com claro conflito temporal. De forma espiritual assinava as folhas de ponto em uma escola municipal sem comparecer (conforme a sua carga horária diária) no recinto.

O mais novo caso de imoralidade e que foi considerado nepotismo cruzado, foi a da vereadora Eliene Soares, conhecida como Margaret Thatcher, ou 1º ministra, em alusão à gestão da “Dama de Ferro” que comandou o Reino Unido entre os anos de 1979 a 1990. A referida vereadora já havia criado fissuras em sua imagem pública nas primeiras semanas de governo, quando de forma monocrática mudou a forma de eleição dos gestores municipais em Palmares 1 e 2, que historicamente sempre tiveram participação direta da comunidade.

Na semana passada, as redes sociais foram inundadas com a notícia que a filha da vereadora Eliene Soares, Vitória Lívia, 18 anos, havia sido contratada para ser assessora especial na Secretaria de Saúde. Apesar de não ser ilegal, o fato, como bem colocou o amigo Zé Dudu, torna-se claramente imoral, ainda mais partindo de quem, há meses atrás, se apresentava como a baluarte da moralidade pública na “capital do minério”, quando era oposição ao ex-governo.  

Os casos de nepotismo não são novidades no setor público parauapebense. No governo Valmir Mariano tal ilicitude era recorrente, quase generalizado. Na Casa de Leis o “espírito público” sempre faltou. A sensação de impunidade e do “tudo pode” tornou-se – infelizmente – uma cultura no setor público, daqui e qualquer outro lugar. Em Belém, capital do Pará, por exemplo, o irmão do prefeito Zenaldo Coutinho (PSDB) é secretário de governo. A nível estadual, Simão Jatene, tem a filha como secretária de seu governo. Ou a Justiça combate efetivamente as irregularidades (inclusive nos tribunais) e os poderes Executivo e Legislativo regulem internamente a questão, ou a moralidade se perderá de vez.

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