Durante décadas, Parauapebas carregou o título de Capital do Minério e foi sinônimo da força exportadora do Pará. Os números de 2026, porém, mostram uma nova realidade: Canaã dos Carajás assumiu a liderança, Marabá também passou à frente e Barcarena já aparece perigosamente próxima.
Os números do comércio exterior começam a desenhar uma mudança importante no mapa econômico do Pará — e principalmente da Região de Carajás.
Dados acumulados entre janeiro e agosto de 2026 colocam Canaã dos Carajás na liderança absoluta das exportações da Região Norte, com impressionantes US$ 4,92 bilhões vendidos ao exterior.
Na segunda colocação aparece Marabá, com US$ 3,12 bilhões. E Parauapebas? A antiga líder aparece somente na terceira posição, com US$ 2,54 bilhões. Logo atrás vem Barcarena, com US$ 2,37 bilhões. A diferença entre Parauapebas e Barcarena é de apenas US$ 172,5 milhões. Ou seja: não se trata apenas de Parauapebas ter perdido a liderança. A Capital do Minério corre agora o risco de cair mais uma posição no ranking.
A mudança não começou agora
O movimento merece atenção porque não surgiu de uma fotografia isolada de agosto. Em 2025, Canaã dos Carajás já havia terminado o ano como maior exportador paraense, com aproximadamente US$ 6,6 bilhões. Parauapebas ocupava a segunda posição, com US$ 5,3 bilhões; Barcarena vinha em terceiro, com US$ 3,4 bilhões; e Marabá, em quarto, com US$ 3,2 bilhões.
Em 2026, entretanto, aconteceu algo ainda mais significativo: Marabá ultrapassou Parauapebas. No primeiro semestre, essa mudança já estava aparecendo nos números oficiais: Canaã liderava, seguida por Marabá, enquanto Parauapebas havia caído para a terceira colocação. Os dados de agosto mostram que a tendência não foi revertida.
Canaã abre uma vantagem gigantesca
Talvez o número mais impressionante seja a distância que Canaã dos Carajás conseguiu abrir. Com US$ 4,92 bilhões exportados, Canaã já vendeu ao exterior aproximadamente US$ 2,38 bilhões a mais que Parauapebas nos oito primeiros meses do ano. Isso significa que as exportações de Canaã estão cerca de 94% acima das registradas por Parauapebas no período. É praticamente o dobro.
Para duas cidades vizinhas, integrantes da mesma província mineral e profundamente ligadas à atividade extrativa, trata-se de uma transformação econômica que não pode ser ignorada.
Marabá também passou
Há outro componente simbólico. Marabá alcançou US$ 3,12 bilhões e abriu aproximadamente US$ 585 milhões de vantagem sobre Parauapebas. Portanto, já não estamos falando exclusivamente da ascensão de Canaã. Parauapebas perdeu posição para duas cidades. E atrás dela surge Barcarena.
Com US$ 2,37 bilhões exportados, o município está somente cerca de 6,8% abaixo de Parauapebas. Se houver alteração no ritmo das exportações nos próximos quatro meses, até mesmo a terceira colocação paraense poderá entrar em disputa.
O Pará domina o Norte
Existe, porém, uma leitura extremamente positiva para o Estado. Os cinco maiores exportadores de toda a Região Norte são paraenses: Canaã dos Carajás, Marabá, Parauapebas, Barcarena e Paragominas. Somente depois aparece Vilhena, em Rondônia.
Dos 20 municípios apresentados no ranking, 13 são paraenses. É uma demonstração impressionante da participação do Pará no comércio exterior amazônico e, principalmente, da força da mineração. Mas também evidencia uma característica histórica da economia estadual: sua forte dependência da exportação de commodities.
Em 2025, por exemplo, apenas dez produtos representaram aproximadamente 92% das exportações paraenses, e somente o minério de ferro respondeu por 48% do total.
Parauapebas precisa discutir o futuro
Aqui está a discussão mais importante. A perda da liderança exportadora não significa decadência econômica de Parauapebas.
US$ 2,54 bilhões em oito meses continuam colocando o município entre as maiores potências exportadoras da Amazônia. O problema é outro.
Durante muito tempo, Parauapebas pôde se apresentar como o centro praticamente incontestável da economia mineral de Carajás. Esse tempo parece estar ficando para trás. Canaã avança com enorme velocidade. Marabá ganhou musculatura. Barcarena se aproxima. E isso deveria provocar em Parauapebas uma discussão muito mais profunda do que simplesmente saber quem ocupa a primeira, segunda ou terceira posição de um ranking.
A pergunta deveria ser: o que Parauapebas está fazendo para preparar sua economia para o futuro? Porque minério é riqueza. Exportação é riqueza. CFEM é riqueza. Mas nenhuma jazida é infinita.
O grande desafio não é permanecer eternamente na liderança das exportações minerais. É aproveitar enquanto existe mineração em grande escala para construir uma economia capaz de sobreviver quando ela deixar de existir.
Imagem: IA




