Parquinho presidencial

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O presidente Jair Bolsonaro inaugurou uma nova forma de se relacionar com a imprensa e apoiadores. Desde os primeiros dias de sua gestão, ele desce do carro que compõe a sua comitiva e fala com jornalistas e apoiadores, que se aglomeram em um pequeno espaço ao lado da portaria do Palácio do Alvorada, residência oficial do mandatário da nação. É assim diariamente quando o presidente está no Brasil.

Além dessa modalidade de contato presencial, Bolsonaro mantém religiosamente todas às quintas-feiras a sua tradicional live na rede social Facebook, oportunidade que aparece ao lado de integrantes de seu governo, e trata de diversos temas. Sobre essa modalidade de contato via rede social, ele já a fazia antes, e foi assim que aumentou paulatinamente a sua popularidade, sobretudo nas redes. 

Em ambos os formatos de comunicação aqui descritos, fazem sucesso junto aos seus apoiadores, que interpretam tais medidas como uma forma de aproximação do presidente junto ao cidadão comum. Dessa forma ele quebra a rigidez que o cargo impõe, o que naturalmente o afasta do grande público. Por outro lado, esse formato, em ambos os casos, tornou-se – ao mesmo tempo – uma medida protecionista de Bolsonaro, pois veda ataques ou críticas. No caso do contato presencial, na entrada do Palácio, os questionamentos partem dos jornalistas que ali se espremem em busca de uma palavra do presidente. E sempre ao ser questionado, o mandatário da nação responde de forma truculenta, até desrespeitosa. Sobe o tom quase sempre quando há algum questionamento de um profissional, em especial da Folha de São Paulo, veículo que Bolsonaro escolheu como alvo, antes mesmo de assumir a Presidência.

Desta forma, via parquinho ou em rede social, o presidente impõe mais um modus operandi do Bolsonarismo, que tem como objetivo criar barreiras e atacar o que a eles tornou-se um inimigo: a imprensa. Basta um start para que uma onda de ataques a veículos e a pessoas tome conta da internet.

Bolsonaro desde quando assumiu, com certeza, já recebeu convites para entrevistas e programas de televisão. Só aceita ou comparece aos que julga promover jornalismo “sério” e “correto”. Qualquer matéria investigativa sobre a sua família ou a pessoas ligadas a esta, já basta para o presidente ameaçar boicotar (cortando verbas, contratos e até recomendando não assistir ao canal ou programa).

Como já dito aqui, o presidente não sabe lidar ou talvez não queira seguir os protocolos que o cargo presidencial impõe a quem o representa. Bolsonaro os despreza. Produz narrativas e ações que vão de encontro ao decoro. Fale ressaltar que já não tinha a postura recomendada nem quando era deputado federal, e continua não tendo, agora na condição de presidente. 

De seu parquinho, em sua bolha, que podemos chamar de zona de conforto presidencial, rodeado de seguranças e protegido por uma grade, Jair Bolsonaro xinga, ataca, provoca, manda sinais, impõe desafios. Assim governa e enfrenta a imprensa. Há método. 

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