Pela Reforma da Previdência, a máquina federal voltará a crescer

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Recentemente este Blog tratou da forma como o governo estava propenso a criar uma nova relação com o Congresso Nacional, a que se chamou de “Nova Política”. Ou seja, de forma clara, objetiva, o governo – via seu núcleo ideológico – abriria mão do modus operandi convencional (conversar, negociar, debater, defender o formato enviado aos parlamentares), neste caso, citando como exemplo a reforma da Previdência, para deixar sobre responsabilidade dos congressistas tal aprovação. 

Mas como dito anteriormente, em outro texto, o mundo real se impôs. O governo parece ter abandonado a estratégia anterior. Irá, a partir de agora, fazer o seu papel institucional, ou seja, negociar, debater, discutir, esclarecer, conquistar deputados (votos) para a aprovação da reforma da Previdência e de outros projetos que possam ser enviados à Casa.

Ao ser eleito presidente, Jair Bolsonaro prometia enxugar a máquina pública. Afirmou que o seu governo teria no máximo 15 ministérios. Iniciou a sua gestão com 22 pastas, ou seja, bem acima do prometido; porém inferior ao quantitativo do governo Temer, que chegou a ter 29 ministérios. O número de pastas que o  atual governo iniciou está relacionado as fusões de ministérios. Conforme dito, o mundo real se apresentou ao Palácio do Planalto, e para que se possa aprovar a reforma da Previdência, será necessário abrir novos “espaços”, e isso na prática é a recriação de ministérios. 

De forma pragmática, articuladores políticos do governo apostam que a recriação dos ministérios das Cidades e da Integração Nacional terá um efeito positivo para aprovação da reforma da Previdência. Isso porque atenderá a debanda de parlamentares de vários partidos por uma divisão de espaços no governo. O movimento original de recriação de pastas teve como objetivo afagar parlamentares de partidos como o MDB, DEM e do “Centrão” em troca de manter o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) no Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Como se viu – de começo – o bolsonarismo tentou imprimir um novo formato de relacionamento entre os Poderes. Tentou (e isso faz parte do Estado beligerante, aquele que é a essência do modus operandi da ala ideológica do governo) mas viu que o plano teórico é diferente da prática. Brasília se impôs, e o governo – caso ainda queira governar, precisa entrar na realidade política. Sendo assim, o Estado volta a crescer para atender aos interesses do Congresso. Tudo como dantes no quartel de Abrantes.

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