Pelo poder, tiroteio informacional continua a todo vapor no Pará

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Na edição do último domingo (15) o jornal Diário do Pará, segundo o Ibope o mais lido do Pará, e controlado pela família Barbalho, aumentou o nível de ataques ao governo Jatene. O referido periódico é só mais um veículo de um grande grupo de comunicação que a referida família controla. Na edição citada, em matéria de capa dando grande visibilidade através de efeitos gráficos, a situação caótica da segurança pública no Pará. A reportagem volta ao tema que se tornou uma realidade crônica no cotidiano da sociedade paraense e que o governo tucano se mostra incompetente em mudar, ou pelo menos, amenizar o problema. É mais uma reportagem da longa série sobre o governo do PSDB, o maior inimigo dos Barbalhos no Pará, atualmente.

Embaixo da manchete, veio a reportagem que chamou mais atenção: a isenção fiscal concedida pelo governo estadual a mineradora Hydro. Quem assina a matéria é o competente jornalista Mauro Neto. Em seu conteúdo, o repórter descreve os caminhos que levaram à renúncia de R$ 7,5 bilhões a empresa até 2030, ano que se encerra o contrato.

A Hydro controla a cadeia do alumínio em solo paraense. A bauxita que sai do solo do município de Paragominas até as irmãs em Barcarena: Alunorte e Albras, que produzem respectivamente, alumina (etapa intermediária do processo) e o alumínio (em lingote para exportação em especial aos mercados asiáticos), sempre tiveram generosas políticas de manutenção de “competitividade” dadas pelo Palácio dos Despachos.

As políticas de incentivos fiscais dos governos do PSDB sempre foram polêmicas. Agora volta à pauta novamente com o caso apresentado. O fantasma do caso “Cerpasa” ainda é um tema que provoca leves calafrios aos tucanos de grande plumagem, sobretudo, ao governador, que ainda responde na Justiça o processo. A matéria, conforme apontado pelo jornalista Carlos Mendes em seu blog “Ver o Fato”, não apresenta o contraditório. E muito menos a justificativa da falta de contraponto. Para o jornalismo isso é falha grave. Em alguns casos chega a desmerecer um amplo trabalho de levantamento de dados e informações de um jornalista.

Em 2015 a Alepa já havia aprovado resolução para manter a cobrança diferenciada do ICMS sobre a energia elétrica das empresas controladas pela Hydro em solo paraense. Segundo cálculos divulgados pelo jornalista, anualmente o Estado deixará de arrecadar quase meio bilhão de reais por ano. E esse caso é só um dos diversos dentro do leque da política de incentivos fiscais que o governo Jatene mantém e já custaram alguns bilhões aos paraenses.

Ações de Helder Barbalho

Ainda na mesma edição, logo abaixo da matéria sobre a renúncia fiscal em favor da Hydro, o jornal destacou as ações do ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho, em favor do Pará. A matéria da jornalista Érica Ribeiro em sua chamada destaque afirma que o ministro traz ao Pará o montante de R$4,7 bilhões em investimentos. O verbo foi colocado no presente de forma estratégica. No conteúdo da matéria o valor total será distribuído pelos próximos quatro anos (2017 – 2020). Ou seja, em etapas os recursos irão chegando e não de uma vez ou tudo no presente como a chamada do texto faz parecer.

Claramente o jornal busca criar ao leitor o contraponto. A diferença entre os dois principais personagens da política paraense. Enquanto um tira o outro traz. E assim será a produção jornalística entre os dois principais grupos de comunicação do Pará. Aguardem a réplica das ORM.

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