Percepções sobre o debate presidencial na Rede TV

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Na noite de ontem (17), foi realizado o segundo debate presidencial na televisão. A Rede TV promoveu o encontro novamente com os oito presidenciáveis que estão aptos pela Justiça Eleitoral a participar de tal evento: Ciro Gomes, Guilherme Boulos, Marina Silva, Geraldo Alckmin, Álvaro Dias, Jair Bolsonaro, Henrique Meirelles e Cabo Daciolo. O formato do debate foi totalmente diferente do usual padrão, por exemplo, o que foi realizado pela Bandeirantes.

O da Rede TV foi dividido em quatro blocos: o primeiro com uma pergunta geral a todos e outra com a participação dos internautas; o segundo e o quarto com confronto direto entre os participantes (que ficaram frente a frente no palco – metodologia usada pela Rede Globo no debate presidencial de 2014); o terceiro com perguntas dos jornalistas, que escolhiam os candidatos que responderiam e os que comentariam as respostas dos adversários.

Abaixo, de forma superficial, a análise do desempenho dos candidatos que participaram do debate:

Marina Silva:

A ex-senadora foi surpreendentemente bem. Saiu do seu costumeiro marasmo, tendo o ápice de sua participação no terceiro e penúltimo bloco, quando os candidatos se confrontavam diretamente; Marina e Bolsonaro protagonizaram um confronto interessante. Ela saiu da defensiva e atacou o deputado, quando se discutia o papel da mulher na sociedade. Marina levou o parlamentar à lona. A candidata da Rede parece ter mostrado aos demais candidatos como transpor a barreira que Bolsonaro construiu em torno de si.

Ciro Gomes:

Foi bem, menos isolado do que no primeiro debate. Focou em seu “porto seguro”: a área econômica. Sua participação – apesar de boa – em nada deverá acrescentar à sua imagem ou lhe proporcionar alguma subida em pesquisas. Acertadamente escolheu Geraldo Alckmin como o seu alvo preferencial. A sua dialética se concentrou no tucano – de forma respeitosa – desconstruiu o discurso do ex-governador paulista diversas vezes.

Guilherme Boulos:

O referido candidato foi bem novamente, assim como no primeiro debate. Boulos parece ser o melhor candidato já lançado pelo Psol desde 2006, quando o partido disputou a sua primeira eleição presidencial. Guilherme mostra o domínio da oratória. Consegue – sem esforço – imprimir, no caso dos debates televisivos, interessante dinâmica. Ao ser questionado, sempre se sai bem, com réplicas bem construídas, que se transformam em bons contra-ataques. Isso tudo foi comprovado, mais uma vez no debate de ontem. Poderá, quem sabe, ser um nome forte da Esquerda para os próximos anos.

Álvaro Dias:

O senador paranaense desta vez se apresentou diferente e teve desempenho bem melhor do que no debate anterior. Não evocou o nome do juiz Sérgio Moro, seu alicerce no encontro passado. Acertadamente tratou de expor a sua experiência e os feitos que realizou quando foi governador do Paraná. A sua estratégia foi a de enaltecer ao máximo a operação Lava Jato e o combate à corrupção. Dias não sobe nas pesquisas por duas motivos claros: o desconhecimento do seu nome por parte do eleitorado e a disputa de votos no campo ideológico que o candidato do Podemos está situado.

Geraldo Alckmin:

O ex-governador paulista continua em “ponto morto”. Sua narrativa carrega o marasmo de sempre, com amplas propostas, porém todas superficiais, sem o detalhamento, mesmo quando o tempo de fala lhe permite. Só pelos debates o tucano não crescerá nas pesquisas. A sua salvação poderá ser o seu amplo espaço de exposição na TV (ocupará 1/3 do tempo total). Novamente, assim como no primeiro debate, desperdiçou a oportunidade de confrontar diretamente o seu maior adversário: Jair Bolsonaro.

Jair Bolsonaro:

Diferentemente do primeiro debate, o deputado federal Jair Bolsonaro não foi bem como o esperado. O formato “solto” do evento, que misturou perguntas de internautas e jornalistas, o colocou em diversas situações desconfortáveis. Mesmo que o formato seja previamente acerto com as assessorias dos candidatos; perguntas de jornalistas e internautas, podem ser imprevisíveis, fugindo do roteiro feito, por exemplo, pelos marqueteiros. No confronto direto com os adversários, Bolsonaro foi levado à lona por Marina Silva. A ex-senadora parece ter mostrado aos demais candidatos o caminho para transpor a barreira que o deputado construiu em torno de si, talvez, inconscientemente. Mesmo o desempenho ruim, creio que em nada mudará o patamar de Bolsonaro nas pesquisas, por ter um alto índice de indicação de voto cristalizado.

Henrique Meirelles:

O ex-ministro de Michel Temer continua sendo o que é: um novato em disputa política, sem o mínimo conhecimento de debate político. Se resume – por ofício – a ficar restrito às questões econômicas. Se apresenta ao eleitor muito mais como um ministro da Fazenda do que candidato à Presidência da República. Consegue ser mais lento do que Alckmin, o que é um feito considerável. Sua inexperiência foi aproveitada pelos adversários, sendo atacado em réplicas e tréplicas por Boulos, Ciro e Marina.

Cabo Dalciolo:

Sinceramente, em respeito ao leitor deste blog, em relação ao referido candidato, não há o que comentar, “Nação Brasileira”.

Para finalizar, como esperado, o candidato Lula não pode comparecer novamente ao debate, por conta da sua condição atual, preso em uma cela na Polícia Federal, em Curitiba. Seu futuro substituto, Fernando Haddad não foi autorizado para participar (teve o pedido de participação indeferido pelos organizadores do debate) por, neste momento, por ter sido registrado como vice de Lula.

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