Polêmica autonomia

Há pelo menos 30 anos se debate sobre a questão de conceder autonomia ao Banco Central do Brasil (BCB). A questão é polêmica e sempre dividiu opiniões de diversas correntes econômicas. Pois bem, o Banco Central foi criado em 1964, sendo responsável por garantir a estabilidade econômica do país, por meio da manutenção do poder de compra da moeda e da regulação do sistema financeiro.

O BCB atua fortemente no controle da inflação. Isso é possível graças à regulação na quantidade de dinheiro que circula no país. A lógica é a de que muito dinheiro na economia estimula o consumo, o que, por sua vez, eleva os preços, já que a demanda para compras pode superar a produção. Entra em jogo, portanto, a tal da lei da oferta e da procura.

Vale lembrar também que quando há uma elevação significativa na cotação do dólar, que é a principal moeda estrangeira negociada no Brasil, pode haver reflexos no preço de produtos e insumos importados. É por isso que a condução das políticas monetária, cambial e de crédito ficam sob responsabilidade do Banco Central.

A polêmica da autonomia da autarquia monetária em questão voltou com força total, tudo porque, na última segunda-feira, 10, foi aprovado pela Câmara dos Deputados (após ter passado pelo Senado, sem sofrer alteração, vai à sanção presidencial) o Projeto de Lei Complementar (PLC) 19/19. Uma das principais mudanças está na questão da representatividade do Banco, pois agora passa a vigorar um mandato fixo de quatro anos para o presidente e os diretores da instituição, que não deve coincidir com o mandato do presidente do país.

Segundo apuração do Portal G1, os parlamentares que apoiaram o projeto é garantir que o Banco Central tenha uma gestão técnica e não esteja sujeito a interferências políticas. Essa imagem, dizem, é importante para dar segurança aos investidores. É o que o jargão econômico chama de “ancoragem das expectativas”, uma política clara que sinaliza que a autoridade monetária está tomando as medidas necessárias para atingir os objetivos que se propôs alcançar.

São decisões que, muitas vezes, têm em perspectiva o longo prazo e, por isso, desagradam o chefe do Executivo — que pode temer um eventual efeito negativo de um aumento de juros sobre a atividade econômica no curto prazo, por exemplo.

Todavia, há os que votaram contra, além de formadores de opinião que não concordam com a autonomia do Banco Central. Segundo matéria do site Brasil de Fato sobre o assunto, a autonomia do BCB, o transformará num supra órgão, autônomo em relação à estrutura administrativa do país e desvinculado de qualquer ministério.

Além de contrariar o artigo 61 da Constituição Federal, que reserva esse tipo de proposta à exclusiva competência do presidente da República, a iniciativa representaria um golpe capaz de entregar a entidade responsável por regular e supervisionar todo o sistema financeiro nacional ao controle daqueles que deveria fiscalizar: os bancos.

O que causou muita estranheza foi a pressa – via Medida Provisória – para aprovar tal autonomia do Banco Central. Algo que nunca ocorreu na história do Brasil, e que vinha se arrastando por um longo lastro dialético. Agora para se tornar efetivo, basta a assinatura presidencial.

Com informações do Portal G1 e Site Brasil de Fatos (Ambos adaptados pelo Blog). 

Henrique Branco

Formado em Geografia, com diversas pós-graduações. Cursando Jornalismo.

#veja mais

Pará aplicou 1,9 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19

A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) registrou a superação de 1,9 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19 na quinta-feira (13). O

Eleições 2024: “Estadualização” da disputa eleitoral na capital paraense

Desde o início do ano corrente, estava claro que o governador Helder Barbalho não iria apoiar o projeto de reeleição do prefeito de Belém, Edmilson

Vale admite acordo no valor total de R$ 170 bilhões

A Vale S.A. informa que, juntamente com a Samarco Mineração S.A. e BHP Billiton Brasil Ltda. e em conjunto com o Governo Federal do Brasil,

Dieese: Tarifaço pode acabar com 726 mil empregos no Brasil em um ano

O Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) calculou que o tarifaço dos Estados Unidos contra o Brasil pode acabar com até 726 mil

O substituto de Zenaldo

Estive em Belém neste último fim de semana, em decorrência de atividades acadêmicas, e aproveitei para medir por onde passei, o termômetro político da capital

Eleições 2024: como esperado, Helder terá candidato próprio em Belém

A coluna Painel, do jornal Folha de São Paulo, afirmou que o governador do Pará, Helder Barbalho, do MDB, anunciará nas próximas semanas que será