A carta

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O início da propaganda eleitoral de Helder Barbalho ao governo do Pará já é motivo de polêmica, pelo menos do lado de seus desafetos. Tudo porque o candidato do MDB, resolveu escrever uma carta endereçada aos mais diferentes atores sociais nos quatro cantos do território paraense. A crítica foi por conta do elevado nível de semelhança entre as peças publicitárias do referido candidato ao governo do Pará e a usada pelo marketing do então candidato ao governo do Maranhão, Flávio Dino, em 2014.

Ao se assistir as duas peças publicitárias, a semelhança é inegável. A sequência das imagens, dos personagens é quase idêntica. Ambas muito bem feitas e com forte apelo emocional e que tratam (reservada as devidas proporções e enquadramento temporal) da questão em promover um Estado presente. Foi assim no Maranhão, em 2014; e está sendo aqui, em 2018. Um formato interessante e que envolve o eleitor, sobretudo, em início de campanha. O reboliço todo faz parte da disputa político-eleitoral, em que qualquer deslize ou algo que possa ser explorado negativamente, torna-se ingrediente a ser usado contra o adversário.

A proposta (encarada como plágio ou não) foi uma boa sacada. “Carta ao coração do Pará”, nela, escrita a mão (conforme firmado na peça publicitária), Helder Barbalho se comunica diretamente com o eleitor, independente de classe social, econômica ou região do Pará. Firma compromisso de suas propostas e do que pode fazer na condição de governador. A palavra “presente” como já abordado por este blog, tornou-se o mantra da campanha. Estrategicamente é usada para conquistar o eleitor que se sente abandonado pelo Estado, sobretudo, nas regiões mais afastadas da capital. Em Belém e sua região metropolitana o discurso é outro.

A narrativa de um Estado presente é algo relevante e de bom retorno, haja vista, a confirmação na realidade. Conforme abordado por diversas vezes (há pelo menos cinco textos que tratam da questão) no blog; os governos Simão Jatene só aprofundaram as assimetrias regionais no Pará. E as fez, através de sua política fiscal, de investimentos (neste caso a falta deles), com o descompasso na distribuição do orçamento, cada vez mais concentrado na capital do Pará e sua Região Metropolitana.

A carta é um detalhe, um componente de peça publicitária. Cabe ao candidato Helder Barbalho, caso eleito, colocar em prática o seu mantra de campanha. Promover um novo arranjo institucional para com o território continental paraense. Caso contrário, depois de quatro anos, o herdeiro político de Jader, poderá ter promovido o maior estelionato eleitoral do Pará dos últimos 20 anos.

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