A criação do Estado de Carajás, morreu?

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Em setembro de 2011, promovi juntamente com algumas pessoas, debate sobre a divisão do território paraense, no auditório de uma faculdade particular em que ministrava aulas, no referido ano. Na ocasião estavam debatendo os deputados estaduais Celso Sabino (PSDB) e João Salame (PP), hoje prefeito de Marabá. Atuei como mediador e fiz algumas considerações sobre o processo, buscando não interferir nos posicionamentos de ambos.

Em dezembro de 2011 o plebiscito da divisão territorial do Pará estava definido. O NÃO venceu com certa folga nos dois casos: criação dos Estados de Carajás (sul e sudeste paraense) e Tapajós (oeste do Pará). O Pará manteria as suas dimensões territoriais continentais, com pouco mais de 1,2 milhão de KM². Na próxima semana completará cinco anos da consulta popular.

Já abordei o tema diversas vezes, pelo menos, uma vez por ano. Provoquei o debate sobre a questão diversas vezes e nada mudou. Nem o governo do Pará avançou no combate às desigualdades regionais e nem ações para a retomada do debate de fragmentação territorial retornaram. Tudo parece sobre o assunto em nível de espera, em “banho-maria”.

Pela legislação da época, caso Carajás fosse criado, por dez anos a União teria a obrigação de manter o custeio do novo ente federativo. Hoje, a situação de Carajás estaria um caos em relação as finanças públicas, haja vista, a crise que o país atravessa, cortes por parte do governo federal e diversos Estados “quebrados”, quase sem recursos para manter o custeio de suas máquinas administrativas.

É fato irrefutável que, o governo do Estado, historicamente, centraliza suas ações em Belém e seus arredores. Diversas regiões do continental território paraense estão largadas à própria sorte, sem a presença de ações de políticas públicas estaduais. E foi neste mesmo sentido que a proposta avançou no campo jurídico e foi rejeitado nas urnas. Belém sendo – de longe – o maior colégio eleitoral do Pará, garantiu a integridade territorial, derrubando a pretensão de outros milhares de pessoas em terem um Estado mais perto, mais atuante, pelo menos na teoria. Outro fator flagrante é a falta de representação política da região sudeste nos parlamentos estadual e federal.

Na região de Carajás, o deputado federal Giovanni Queiroz (PDT) é o principal articulador para o surgimento de um novo Estado. Em 2014, depois de dois anos da derrota nas urnas, o parlamentar articulou na Câmara dos Deputados para que o projeto voltasse à Casa e fosse restruturado, agora com diversas alterações. A proposta era facilitar os trâmites processuais e o seu formato de aprovação, agora não mais em todo território e sim na área que será emancipada.

Depois desta investida, tudo parou. Não se fala mais sobre a questão. E no atual cenário econômico do país, qualquer proposta que gere custo deverá ser barrada. Não há qualquer possibilidade de avanço sobre a questão do Estado de Carajás, pelo menos a curto prazo. A região que gera a maior riqueza ao PIB paraense é também um grande vazio institucional, o que gera insegurança de todas as ordens.

Em 2014, por exemplo, a título comparativo, a RMB, teve R$ 5,9 bilhões em recursos do tesouro estadual e passou a ter em 2015 R$ 11,7 bilhões. Aumento de 96% em 12 meses. Pouco mais de 70% de todo o orçamento estadual foi investido na capital Belém e seus outros cinco municípios que formam a RMB. Já para a região de Carajás (centro de produção econômica do Pará) teve o orçamento reduzido em mais da metade em comparação com o ano passado. Carajás tinha orçamento na ordem de R$ 1 bilhão e passou a ter apenas R$ 438,2 milhões. A região que mantém porcentagem considerável na balança comercial paraense, teve corte de mais de 50% nos investimentos. Ou seja, menos presença do Estado, mais desigualdade regional.

Os cortes para as regiões mais afastadas de Belém continuaram em 2016. A projeção orçamentária para o próximo ano é de R$ 24,593 bilhões, para atender as principais metas do governo. Não será espanto mais reduções para as regiões sul, sudeste e oeste do Pará.

Enquanto se aprofundam as desigualdades regionais paraenses, Carajás continuará a manter grande parte do PIB estadual, mesmo sem fazer parte – pelo menos – nos planos oficiais das ações do Palácio dos Despachos. Belém a cada dia vai ficando mais longe do resto do Pará e as regiões sul e sudeste mais longe do Palácio dos Despachos. O Estado de Carajás se resumirá a uma pretensão, um desejo? 

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