A pequenez de Bolsonaro frente aos seus superministros

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A vitória eleitoral de Jair Bolsonaro, que o fez ser o próximo presidente da República, a partir do primeiro dia do próximo ano, trouxe consigo uma ampla reforma na estrutura do Estado brasileiro. Mudanças essas que não aconteceriam com a vitória da antiga bipolaridade das últimas cinco eleições presidenciais, protagonizado pelo PT e PSDB. As mudanças no perfil estatal estão a todo vapor. Claramente o Estado ficará menor, mais enxuto, e com mudanças no direcionamento de ações; e consequentemente a isso, alterações nas políticas públicas.

O governo Bolsonaro em sua estrutura institucional será menor, porém será governado por superministros, divididos em quatro grandes áreas: Economia (Paulo Guedes), Política (Onyx Lorenzoni), Segurança e Justiça (Sérgio Moro) e Militar (Augusto Heleno). A questão é que está claro que essa macro divisão interna do governo já produz faíscas entre os citados que disputam à sua maneira e perfil os espaços do novo governo, ainda em formação. No meio desse embate está o presidente eleito, que transparece (o que era esperado) não ter as artimanhas necessárias para conduzir a própria montagem da equipe de sua futura gestão. Isso se confirma na prática com o “vai e vem” de posições, de discursos e afirmações. A narrativa é imprecisa, instável, mudando o tempo todo.

A mídia que cobre os assuntos e acompanha o cotidiano da transição entre o governo atual e o futuro, afirma que há um embate claro entre Lorenzoni e Guedes. Moro por seu perfil mais fechado, menos político, ainda mantém distância, ou ainda não quis subir no ringue. Heleno é o mais próximo do presidente eleito; não, por acaso, deixou de assumir o Ministério da Defesa e passou a chefiar o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), uma sala ao lado do gabinete presidencial no Palácio do Planalto. O General da reserva será o grande mentor, conselheiro do novo presidente.

A disputa pelo poder está posta. Talvez, por isso que os filhos do presidente eleito devem entrar na disputa, com a possibilidade de assumir ministério, como é o caso de Carlos Bolsonaro, vereador na capital fluminense, que poderá ser ministro do próprio pai na área da comunicação.

A pequenez de Bolsonaro frente à complexidade de montar um governo a nível federal requer minimamente o traquejo político (que parece que os 28 anos anos de estada em Brasília não foram suficientes para que o presidente eleito tenha tido essa expertise necessária). Por isso, tudo é delegado pelo novo presidente, que deixa a cargo de seus superministros a função de organizar tudo. E assim será durante a gestão.

E sem falar na relação cada vez mais distante entre o presidente eleito e seu vice, Hamilton Mourão, que mais diverge do que apoia publicamente o novo mandatário da nação. Mourão já deixou claro (desde à época da campanha) que não será um vice-presidente figurativo. Fará questão de participar, ter espaços e importância no novo governo. Mourão foi a última opção para a composição da chapa para concorrer na eleição presidencial, quando foi escolhido no limite do prazo legal definido pela Justiça Eleitoral. Portanto, não há a afinidade entre ambos, e  durante a campanha a relação só piorou.

Resta saber se a pequenez de Jair Bolsonaro será uma grande problemática ao próprio. A guerra de vaidades em sua gestão inevitavelmente ocorrerá, e ela já ocorre por conta da falta de traquejo do presidente eleito. A questão é saber se isso conseguirá ser equacionado internamente pelo próprio ou será um complicador ao seu governo e consequentemente ao país.

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