A resistência de Ciro Gomes frente a polarização na disputa presidencial

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À margem da polaridade que se formou na disputa presidencial entre Fernando Haddad e Jair Bolsonaro, Ciro Gomes ainda resiste na disputa. O candidato do PDT aparece nas pesquisas consolidado na terceira posição, com exceção do último levantamento do Datafolha, que colocou o ex-governador cearense na segunda posição, empatado na margem de erro (três pontos) com Fernando Haddad, o candidato petista.

O ex-ministro quer se manter “vivo”, tentar esticar ao máximo a sua “vida” na disputa. Para isso, usa a tática de ser o representante do Centro político, fora das extremidades que as duas candidaturas mais bem colocadas possam representar; narrativa usada pelo candidato junto ao eleitorado, sobretudo, aos indecisos ou aos que se negam a votar. Esse discurso pode “colar” junto ao eleitor, mas é um tanto quanto falso, ou, pelo menos, não condiz com a realidade, nem mesmo ao perfil de Ciro Gomes.

Há dois meses afirmei no blog que Ciro Gomes e Marina Silva já tinham ficado pelo caminho. A dúvida seria se Geraldo Alckmin conseguiria subir impulsionado pelo horário eleitoral. Na prática se viu que não. A televisão e o rádio perderam força? Deixaram de ser os maiores influenciadores em disputas eleitorais? Creio que não. Vários fatores – no caso de Alckmin – corroboram para essa estagnação do ex-governador paulista. Primeiro, o próprio descrédito de grande parte do eleitor junto ao PSDB; segundo, o perfil de Alckmin e terceiro, o “fator Bolsonaro”, que retirou votos do PSDB e o papel do partido em se apresentar como o anti-PT.

A manutenção de Ciro como candidato – na prática – ajuda mais a Jair Bolsonaro, do que a Fernando Haddad, porque segura votos que poderiam ir para o petista. O ex-governador cearense não deverá desistir, manterá firme a sua candidatura; ela é mantida muito mais como atitude ou resposta reacionária ao PT, do que a Bolsonaro (apesar que visa combater a tudo que representa o candidato do PSL), justamente pela escolha e falta de apoio do ex-presidente Lula ao candidato do PDT. A resiliência de Ciro Gomes é o que se pode acompanhar fora da polaridade formada na disputa presidencial, o ponto fora da curva. O resto já era.

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