A troca no MEC e o fortalecimento político de Onyx Lorenzoni

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O que já era esperado desde semana passada, ocorreu ontem (08), Ricardo Vélez Rodríguez foi demitido. O Ministério da Educação apresentava o pior desempenho dentro da Esplanada. Foram 100 dias sem gestão, com trocas sucessivas na secretária executiva, o segundo cargo mais importante da referida pasta. Vélez Rodríguez sempre foi alvo de críticas dentro e fora do governo, além de pressões diversas. O ministro enfrentava crise que vinha desde sua posse, com disputa interna entre grupos adversários, medidas contestadas, recuos e quase 20 exonerações.

Neste três meses de governo, Vélez perdeu até o apoio de seu “padrinho”, o escritor Olavo de Carvalho, influenciador do bolsonarismo, o que deixava claro que não ficaria no cargo por mais tempo. Sua saída chegou a ser anunciada na semana passada pela imprensa, que garantiu que fontes de dentro do Palácio do Planalto já indicavam a sua saída. Mas o presidente Jair Bolsonaro desmentiu os veículos que noticiaram e garantiu que Vélez continuaria. Na verdade, o presidente não quis atribuir à imprensa a saída, por isso o segurou mais uma semana.

Na verdade, Vélez nunca foi ministro de fato. Não tinha poder de comando. Estava subordinado ideologicamente por Olavo, e administrativamente ao Palácio do Planalto. Demitia, mas não nomeava por conta própria. O estopim foi a sua estada no Congresso, ocasião que foi sabatinado pelos parlamentares, o que deixou claro o seu despreparo para o cargo. Vélez Rodríguez é um teólogo, filósofo, ensaísta e professor colombiano naturalizado brasileiro, suas obras tem relevância dentro do universo da Direita. Já escreveu 30 obras e tornou-se professor emérito da Escola de Comando do Estado Maior do Exército.Mas não tem o mínimo de noção de gestão pública, sobretudo do nível do MEC, uma das áreas mais complexas do governo.

Dito isto, voltamos à proposta central deste artigo, e que deu origem ao seu título. A saída de Vélez e a nomeação de Abraham Weintraub para o seu lugar, politicamente fortalece o ministro Chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. O novo ministro estava como secretário-executivo da Casa Civil, o segundo cargo mais importante dentro da pasta. A indicação de Weintraub para o MEC é uma grande vitória política de Lorenzoni. O cargo estava sendo disputado por diversos setores do governo, dentre eles os militares e os “olavistas”. Prevaleceu a indicação do ministro. Lorenzoni é reconhecido também por ter sido um dos principais responsáveis pela vitória de Davi Alcolumbre para presidir o Senado Federal.

Recentemente o blog tratou da questão do avanço dos militares dentro do governo. As dependências do Palácio do Planalto acomodam quatro ministérios, e três deles são controlados por militares. No prédio, apenas Lorenzoni é civil. E, naquele momento estava cada vez isolado. Mas o referido ministro parece crescer politicamente. Foi o principal responsável pela eleição de Alcolumbre para presidir o Senado e agora mostra força com a sua indicação ao Ministério da Educação. Onyx não só sobrevive em campo minado, como cresce. 

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