A última cartada

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Hoje, a presidenta Dilma Rousseff, fará a sua defesa pessoalmente no Senado Federal. Falará por cerca de meia hora, podendo ter o tempo prorrogado. Em seguida responderá as perguntas de mais de 50 senadores que já estão inscritos. Defesa e acusação irão travar verdadeira guerra de discursos e posicionamentos.

Dilma deverá mesclar o seu discurso entre o tom de emoção e apresentação de informações secas, frias, bem ao seu estilo. Deverá evitar entrar no embate direto, com termos provocativos com os senadores da oposição.

Sinceramente não há muito que se fazer. Dilma sabe que vive os seus últimos dias no Palácio da Alvorada, o número mínimo de senadores para que se mantenha no poder, ainda não foi alcançado. E dificilmente deverá mudar o cenário. O seu julgamento é político, o viés técnico foi esquecido. O processo de impeachment  no Senado, diferentemente do que muitos poderiam esperar, tornou-se um novo capítulo do lamentável evento ocorrido na Câmara federal, em abril.

Se Dilma Rousseff torna-se impedida em definitivo, será o segundo presidente a sofrer impeachment em 24 anos desde o processo de redemocratização. Dos quatro mandatários máximos da república, dois deles (Collor e Dilma) sofreram  processo de impedimento, um em definitivo, enquanto o atual ainda está em andamento. FHC e Lula sofreram para manter a governabilidade em suas gestões, em muitos casos, ficou claro a dependência do Palácio do Planalto ao Congresso Nacional.

Vivemos em um presidencialismo capenga, que se arrasta para se manter vivo. Temos um regime liderado pelo presidente (chefe de governo e chefe de Estado) com aparente força ou autonomia. No ano passado, escrevi sobre esse autofagismo institucional, em que o parlamentarismo existe e manda, de forma disfarçada, é claro. Esse processo que se arrasta há décadas deverá ter mais um triste capítulo, que se encerrará nos próximos dias, com o possível impeachment de Dilma, mais um atropelo a nossa recente democracia. Não há o que comemorar, pelo contrário, é lamentar que o país mergulhe cada vez mais fundo em mar de incertezas e insegurança institucional. Qual democracia consegue sobreviver a isso?

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