Adeus, comandante em chefe

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Sem dúvida, hoje morreu um dos principais ícones do cenário mundial do século XX. Fidel Alejandro Castro Ruz, encerrou seu ciclo neste plano. Escrevi sobre ele em meu antigo blog, em 2006, meu primeiro ano como blogueiro. Naquela data, Fidel Castro, entregava o poder a Raul, seu irmão mais novo, haja vista, que havia sido acometido por grave doença (até hoje sem maiores explicações) e que não poderia continuar comandando o país. Deixou o poder para nunca mais voltar.

Desde o referido ano, de forma esporádica, abordava em meu veículo de comunicação, assuntos referentes ao agora falecido líder cubano. Como estudante do curso de geografia, sobretudo, nas disciplinas de base internacional, era inevitável o debate, estudo e discussão sobre o que representou a revolução cubana para o mundo, dentro do contexto da Guerra Fria. Inevitavelmente, as ações de Fidel, Raul e Chê são abordadas nos cursos de ciências humanas.

Chegava a fascinar o fato de um grupo pequeno de revolucionários ter conseguido derrubar um regime ditatorial, liderado por Fugencio Batista, como amplo apoio dos Estados Unidos e manteve uma ilha no caribe, o centro da resistência ao avanço imperialista americano. Tudo isso fascina e cria em Fidel Castro a imagem de um mito. Você pode concordar ou discordar da trajetória do ex-líder cubano, mas nunca ser indiferente ao que foi feito por ele e sua importância para a geopolítica mundial. A morte de Fidel Castro encerra o século XX. Abaixo reproduzo excelente texto de Eduardo Galeano sobre o ex-comandante cubano.

Fidel, por Eduardo Galeano

“Seus inimigos dizem que foi rei sem coroa e que confundia a unidade com a unanimidade.

E nisso seus inimigos têm razão.

Seus inimigos dizem que, se Napoleão tivesse tido um jornal como o Granma, nenhum francês ficaria sabendo do desastre de Waterloo. E nisso seus inimigos têm razão.

Seus inimigos dizem que exerceu o poder falando muito e escutando pouco, porque estava mais acostumado aos ecos que às vozes. E nisso seus inimigos têm razão.

Mas seus inimigos não dizem que não foi para posar para a História que abriu o peito para as balas quando veio a invasão, que enfrentou os furacões de igual pra igual, de furacão a furacão, que sobreviveu a 637 atentados, que sua contagiosa energia foi decisiva para transformar uma colônia em pátria e que não foi nem por feitiço de mandinga nem por milagre de Deus que essa nova pátria conseguiu sobreviver a dez presidentes dos Estados Unidos, que já estavam com o guardanapo no pescoço para almoçá-la de faca e garfo.

E seus inimigos não dizem que Cuba é um raro país que não compete na Copa Mundial do Capacho.

E não dizem que essa revolução, crescida no castigo, é o que pôde ser e não o que quis ser. Nem dizem que em grande medida o muro entre o desejo e a realidade foi se fazendo mais alto e mais largo graças ao bloqueio imperial, que afogou o desenvolvimento da democracia a la cubana, obrigou a militarização da sociedade e outorgou à burocracia – que para cada solução tem um problema –, os argumentos que necessitava para se justificar e perpetuar.

E não dizem que apesar de todos os pesares, apesar das agressões de fora e das arbitrariedades de dentro, essa ilha sofrida mas obstinadamente alegre gerou a sociedade latino-americana menos injusta.

E seus inimigos não dizem que essa façanha foi obra do sacrifício de seu povo, mas também foi obra da pertinaz vontade e do antiquado sentido de honra desse cavalheiro que sempre se bateu pelos perdedores, como um certo Dom Quixote, seu famoso colega dos campos de batalha”.

Publicado originalmente no livro “Espelhos, uma história quase universal”.

6 Comentários

  1. Culpar os EUA por tentativa de assassinato do Fidel tudo bem, embargo econômico tudo bem. Agora impedir a democracia ? Só para lembrar que o governo do Fidel por muito tempo persegui gays.

  2. Criticar ou defender uma Ditadura promovida pelo comandante em chefe Fidel Castro é uma proeza elegante.Nestas poucas horas d seu falecimento vi manifestações populares a favor ou contra.É um homem complexo.Na vdd tem q fazer um relato das fases d Fidel.
    Revolucionário.
    Transgressor.
    Comunista.
    Ditador.
    Emblemático.

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