Bolsonaro e o monólogo forçado no sopé dos Alpes suíços

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Hoje, 22, no sopé dos Alpes suíços, mais precisamente na cidade de Davos, que tradicionalmente recebe a cada ano uma nova edição do Fórum Econômico Mundial (FEM), uma organização sem fins lucrativos, conhecida por suas reuniões anuais na referida cidade suíça, na qual reúne os principais líderes empresariais e políticos, assim como intelectuais e jornalistas selecionados para discutir as questões mais urgentes enfrentadas mundialmente, incluindo saúde e meio-ambiente.

Há um esvaziamento considerável na edição deste ano, haja vista, que diversos líderes mundiais não participarão do evento. Apenas três líderes do G7, grupo composto pelos sete países mais industrializados do mundo, confirmaram presença: o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, a chanceler alemã, Angela Merkel, e o premiê italiano, Giuseppe Conte.

Donald Trump, que no ano passado roubou os holofotes em Davos com a rara aparição de um presidente norte-americano em exercício, cancelou sua participação devido aos problemas decorrentes da paralisação parcial do governo dos EUA. Emmanuel Macron, presidente francês, também não irá ao encontro pois precisa lidar com os protestos dos “coletes amarelos”, enquanto a premiê britânica, Theresa May, encontra-se em uma batalha para encontrar uma solução para o Brexit.

Portanto, Jair Bolsonaro será uma das principais estrelas do evento. Segundo o que foi divulgado por sua assessoria, o presidente brasileiro irá discursar por 45 minutos. Em sua narrativa estarão assuntos econômicos, restruturação do aparelho de Estado no Brasil; corrupção; gestão pública, reformas e comércio exterior. Seu discurso soará como música aos presentes, haja vista, que irá exaltar os pilares do neoliberalismo em seu governo.

Em meio ao “vendaval” familiar que atingiu a sua família, Bolsonaro cancelou qualquer encontro que pudesse ser perguntado ou questionado pela imprensa. A entrevista coletiva que geralmente ocorre após os discursos, foi cancelada. Sua chegada – sob intensos protestos – e que, inevitavelmente teve que ser abordado por jornalistas, o presidente não permitiu qualquer pergunta. E assim será, talvez até em solo brasileiro.

O presidente sabe das gravíssimas acusações que o seu clã recebeu, em particular o seu primogênito, Flávio. Denúncias que envolvem o mandatário nacional e sua esposa, continuam sem respostas, apesar de algumas justificativas. Portanto, o silêncio é o caminho escolhido.

Jair Bolsonaro exercitará um verdadeiro monólogo de agora em diante, não porque quer, mas por ser obrigado a tal postura. Na comunicação o “rei está nu”, sem a roupa, neste caso, o discurso moralista, que se perdeu, e que lhe dava sustentação política. Cabe a ele e seus auxiliares mais diretos evitar que a crise chegue ao governo.

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