Brasil, o país da “gambiarra”

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Gambiarra é uma palavra com vários significados, entre os quais os mais predominante são “extensão de luz” e, no Brasil, “improvisação”. O termo “gambiarra” costuma ser usado também como adjetivo, significando “precário”, “feio”, “tosco”, “mal acabado”.

Esse estilo de fazer, algo já cultural de nossa sociedade é o retrato de um país que desaba, que incendeia, que rompe, que afunda, que rola, que enche, que fica submerso, etc. Somos o País do desleixo. Em todos os sentidos. A propaganda oficial quer nos convencer que de estamos melhorando dia após dia. E é verdade. Se olharmos somente para nós, sem comparação com outras nações soberanas, a gente até que melhorou bastante. As novas gerações não fazem ideia de como era 50, 60 anos atrás. Era um atraso quase neolítico, mas estamos melhorando e criando um “campo minado”, que tem um alto preço.

Mas quando fazemos um olhar comparativo, as propagandas soam mentirosas. Países que têm história econômica comparável com a nossa estão anos-luz à nossa frente. Imagine comparar com Austrália ou Coreia do Sul. Como citou o cronista Edival Lourenço: “Brasil é de cima a baixo um enorme canteiro de gambiarras. O Governo ainda se dá ao descaso de começar uma obra de rodovia ou hidrelétrica, por exemplo, sem projeto, com estimativa de custo sendo alterado ao sabor das conveniências ao longo do tempo. De interromper a construção de uma obra por falta de licença ambiental, que é dada pelo próprio governo. De erguer pontes onde não vão passar estradas, de construir ferrovias com bitolas incompatíveis. Aqui parece que é tudo desorganizado. Menos o crime, é claro!

Permeiam por nossas cidades grandes emaranhados de fios expostos. E não estou falando das favelas. Se o governo brasileiro fosse Deus e Ele fosse fazer o homem, certamente o faria com as tripas por fora da barriga e o crânio por dentro do cérebro. Nossas cidades se parecem com vasos mal-recuperados. É comum asfaltar-se uma rua e em seguida vir outra área do governo abrindo valas para assentar a tubulação de água. Depois de remendado vem outra quebrando novamente para instalar o sistema de esgoto, depois de gás, e assim vai. As calçadas das ruas são todas desniveladas. Lixões são os cartões de visita na porta das médias e pequenas cidades.

Toda a nossa infra-estatura deixa a desejar, com aeroportos, portos e estradas em condições de abandono na ampla maioria dos casos. Nosso ensino é fraco, a saúde é triste, a segurança é falha e a justiça em passos de tartaruga.  Só para se ter uma ideia, a constituição americana, que é de 1787, recebeu 27 emendas nesses 226 anos. A nossa Constituição, a  dita Cidadã, que é de 1988, em 25 anos recebeu 72 emendas. Isso nos coloca entre os últimos países em desenvolvimento,  no quesito segurança jurídica.

Barragens que se rompem (em alguns casos com indicativo comprovado por laudo o risco), viadutos que caem (por falta de manutenção, em outros pela redução da vida útil do concreto pelo material de inferior qualidade e até quantidade de uso), incêndios ocorridos pela falta mínima de segurança, como no caso da tragédia nas instalações do futebol de base do Flamengo. Acomodações em contêineres? O espaço foi autorizado pela Prefeitura do Rio de Janeiro para ser usado como estacionamento, mas o clube utilizou para colocação dessas estruturas metálicas.

Asfaltos que são colocados (geralmente com sobrepreço ou então os comemoráveis – de quem sai ganhando com isso, é claro – aditivos) e logo em seguida, semanas depois já estão deteriorados. Esse é o Brasil que se desmancha aos nossos olhos, todos os dias. Volume de recursos públicos e até privados que escorrem e que faz muita falta aos que mais precisam de atendimento público.

Precisamos urgentemente parar de usar ou aceitar referências como, por exemplo, acidentes e fatalidades. Basta-se analisar que as tragédias que ocorrem estão ligadas à cultura que esta crônica apresenta. No Brasil pisamos em um verdadeiro “campo minado”. Quem nos garante que algo não possa acontecer próximo, em cima, em baixo, do lado de nós? Reflexo de uma cultura perversa, do “jeitinho”, do se dar bem, de ganhar vantagem, do usurpar quando se pode. Se é público, é meu, e posso levar. Se levar a sério, nem alvará de país o Brasil possui. Como dá certo?

 

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