Campanha presidencial: a polarização entre extremos e um possível 2º turno da narrativa do futuro temeroso

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Conforme anunciei em minha conta no Twitter, nem o mais otimista petista poderia imaginar o crescimento tão rápido nas pesquisas do candidato Fernando Haddad. No mais recente levantamento divulgado pelo Ibope, o ex-prefeito de São Paulo cresceu 11 pontos (8% para 19%) em uma semana (espaçamento temporal entre a divulgação de dados das duas últimas pesquisas do referido instituto), consolidando-se, portanto, na segunda posição, atrás do candidato do PSL, Jair Bolsonaro.

Nas análises do blog existiam duas grandes dúvidas (isso até o mês de julho): o segundo turno seria constituído por uma candidatura de centro-esquerda (Ciro Gomes e o ungido de Lula – hoje atende pelo nome de Fernando Haddad); e do outro lado teria uma candidatura de centro-direita (cristalizada em dois nomes: Geraldo Alckmin e Jair Bolsonaro). Em julho não se poderia afirmar com certeza qual previsão (entre os dois campos ideológicos apresentados) se tornaria real, muitos fatores e variantes estavam embutidos na questão àquela altura.

Ciro Gomes conseguiria capitalizar os votos do centro-esquerda? Ou seria engolido pelo candidato de Lula? Lula teria a capacidade de transferir votos em margem suficiente para colocar o seu ungido no segundo turno, ou até ganhar a eleição? Do outro lado, Geraldo Alckmin decolaria com o início do horário eleitoral na rádio e TV? E Bolsonaro conseguiria manter a sua alta margem de indicação de votos com apenas oito segundos no horário eleitoral? O candidato do PSL seria “desconstruído” nos debates?

Todas essas indagações surgiram nas reflexões daquele momento. As semanas foram passando, os questionamentos foram sendo substituídos por confirmações no decorrer do processo eleitoral; com as candidaturas confirmadas, as coligações fechadas e, enfim, o PT definindo o seu futuro, escolhendo o ex-prefeito de São Paulo como o candidato do partido.

O cenário atual é claro: o segundo turno deverá ser formado entre Fernando Haddad e Jair Bolsonaro. O petista cresce bem acima da margem de erro em todas as pesquisas; o candidato do PSL mantém a sua margem de crescimento (na margem de erro) contínuo. O seu teto já foi superado, sendo redefinido a cada nova divulgação dos números dos institutos de pesquisa. Conforme afirmado em agosto pelo blog, Ciro Gomes e Marina Silva ficaram pelo caminho. O candidato do PDT ainda mantém tendência de alta (o que poderá oscilar de três a quatro pontos), mas a candidata da Rede, a cada novo levantamento acompanha as suas intenções de voto cairem.

O candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, esperava-se o seu crescimento no decorrer da campanha, pelo contrário, vem caindo a cada divulgação de intenção de voto (na margem de erro, por exemplo, da pesquisa Ibope). Não há projeção de crescimento para o tucano; o PSDB deverá ficar fora do segundo turno, algo que nunca aconteceu na história do partido em disputas presidenciais.

Portanto, sobra Jair Bolsonaro e Fernando Haddad para o embate final. Um segundo turno de dois extremos; do voto útil (contra as ameaças do retorno do PT ao poder, e a aventura que país poderia enfrentar com a vitória de Bolsonaro) e ao mesmo tempo, o voto da rejeição para ambos.

Pelo visto, a eleição chegará ao fim; o novo presidente tomará posse, mas a crise política está longe do fim. O clima revanchista se manterá. Pior para o Brasil.

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