Com a tragédia em Brumadinho, a narrativa de Bolsonaro em relação ao meio ambiente se perdeu

Compartilhe nas redes sociais.

Desde o período eleitoral que o então candidato à Presidência da República, Jair Bolsonaro vinha impondo uma narrativa contraria a lógica em relação ao Meio Ambiente. Ao invés de proteger, havia a pretensão de tornar menos rígido o controle ambiental no país. Após o processo eleitoral, já na condição de presidente eleito, havia decidido encerrar as atividades do Ministério do Meio Ambiente, anexando-o a pasta da Agricultura.

Na prática tal fusão não aconteceu, porém o Ministério do Meio Ambiente foi esvaziado, ou seja, perdeu força. Para o presidente existe um excesso de “ativismo ambiental”, que ainda o classificou como “xiita”. Segundo o mandatário da nação, se faz necessário acabar com a “indústria de demarcação de terras indígenas”. Explorar economicamente a Amazônia. Tirar o Brasil do Acordo de Paris sobre mudanças climáticas. Esse último ponto, mais uma vez, como de praxe, o governo recuou.

Um exemplo dessa narrativa polêmica foi em agosto do ano passado, em visita a Porto Velho (RO), Bolsonaro defendeu a exploração econômica da Amazônia e atacou o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade). Para o candidato, o Brasil “não suporta” ter parte de seu território “demarcado como terras indígenas, proteção ambiental, parques nacionais e essas reservas todas”.

E continuou: “Atrapalha o desenvolvimento. Não podemos continuar admitindo uma fiscalização xiita por parte do ICMBio e do Ibama, prejudicando quem quer produzir”, afirmou na ocasião.

Todas essas declarações foram dadas antes da tragédia ocorrida em Brumadinho, no último dia 25. O fato criou uma comoção nacional e reafirma a necessidade de debater as leis ambientais, e até criar novos controles para melhorar a segurança dessas construções. E agora como produzir uma narrativa de flexibilização das leis ambientais? O discurso, aliás já foi abandonado no mesmo tempo que a avalanche de lama descia vale abaixo. O presidente, o general Augusto Heleno (Gabinete da Segurança Institucional) e Ricardo Salles (Meio Ambiente) falam em tornar mais rigorosa a legislação.

Salles assumiu o Ministério justamente por ter uma postura flexibilizadora, e que prometia “desamarrar” as leis ambientais. Após a tragédia, essa pretensão já foi esquecida, pelo menos publicamente. Em pouco mais de três anos, ocorreram dois acidentes monumentais em plantas de extração de minério da Vale. Não há como manter nenhum discurso que vise flexibilizar leis ambientais neste cenário de incertezas e de terra arrasada. Mais um recuo Bolsonarista, desta vez forçado pelas circunstâncias.

Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta