Como estaria Cuba hoje, sem a revolução liderada por Fidel?

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Desde a divulgação do falecimento de Fidel Castro que o esperado – pelo menos por mim – aconteceu: a divisão de opiniões sobre o ex-líder cubano. Venho acompanhando esse intenso processo dialético nas diversas redes sociais que participo. Inegavelmente, Fidel, divide ódio e paixões, defensores e críticos, atitudes louváveis e outras nem tanto. Mas segue a lógica dos que marcaram época e terão diversas biografias, dependendo da visão e teor ideológico. Ninguém pode ser indiferente a sua história e obras.

Mas, a proposta deste texto, mais um de diversos sobre a geopolítica mundial (antes escrevia com frequência sobre o tema, depois a política local assumiu o comando da pauta deste blog) é apresentar e provocar o debate sobre Cuba. O que seria da ilha caribenha sem a revolução de 1959? Se Fidel juntamente com Che Guevara e outros revolucionários não tivessem tomado o poder e derrubado Fugencio Batista, como seria a vida de milhares de cubanos, hoje em dia?

Antes de criticar a gestão dos Castros que duram mais de meio século, se faz necessário conhecer um pouco mais a história. Saber como era Cuba antes da revolução, assim como a sua relação com os Estados Unidos. Então vamos um pouco mergulhar na História:

Emenda Platt foi um dispositivo Constitucional assinado pelo Senado norte-americano em 1901, para garantir que os Estados Unidos pudessem intervir política e militarmente na ilha de Cuba.

No final do século XIX, após a independência, os norte-americanos trataram de se livrar dos interesses comerciais europeus para conquistar de vez a hegemonia no continente. Com políticas articuladas, os Estados Unidos apoiaram a descolonização dos países vizinhos para tê-los como aliados e atingir seus interesses geopolíticos e econômicos de forma efetiva.

Com Cuba não foi diferente. Em 1898, o intelectual José Martí liderou um processo de independência da ilha, que estava sob domínio da Espanha. Ágeis, os governantes dos Estados Unidos viam na ilha uma grande possibilidade de expansão comercial e apoiaram os cubanos na expulsão dos espanhóis.

Os norte-americanos venceram e impuseram a assinatura do Tratado de Paris, que dava aos Estados Unidos o direito de controlar Cuba. Antes de elaborar uma Constituição cubana, os Estados Unidos elaboraram a Emenda Platt para garantir que a ilha estaria sob seu controle total, com o argumento de que, desta forma, Cuba estaria ‘protegida’ das invasões europeias.

A Emenda Platt deixou Cuba sob domínio norte-americano até 1933, ano em que o soldado e ditador Fulgêncio Baptista assumiu o governo cubano pela primeira vez”.

Portanto, o texto acima, explica de forma bem didática, qual futuro os cubanos teriam caso se mantivessem sobre domínio americano. Suponho que estariam nos mesmos patamares de Porto Rico ou talvez pior, virado um Haiti. No início do século XX, a ilha caribenha localizada a 90 km ao sul de Miami, era tida como um quintal ianque. Um local de veraneio, de busca pelo prazer (um prostibulo dos americanos que podiam pagar para passar um fim de semana por lá e promover qualquer tipo de desordem pública).

A revolução de 1959 mudou essa trajetória. Criou uma opção ao corriqueiro destino de pura exploração que a esmagadora maioria dos países do continente americano passam e ainda vivem. Teve falhas? Sim e muitas. Retirou a liberdade plena dos cubanos, que foram definidas através de forte esquema de controle social e político pelo partido comunista, controlado pelos Castros. Mas, ao mesmo tempo apresentou ao mundo um modelo político que não é perfeito. Longe disso. Mas, diferente do seguido pela ampla maioria dos países do continente, promoveu mais igualdade, mais acesso à cidadania. Erradicou cenários sociais desoladores. Criou, mesmo em uma frágil economia (mantida pela exportação de produtos primários, baratos) educação e saúde que nenhum outro país (mesmo sendo muito mais rico) conseguiu.

Portanto, Cuba, apesar de todos os problemas, da manutenção de embargo econômico criminoso e da falta de liberdade, ainda é um exemplo de cidadania, de acesso à serviços básicos que todo cidadão tem direito. Mesmo com a queda da qualidade de vida, pois com o fim da Guerra Fria, Cuba perdeu forte apoio econômico dos soviéticos. Enquanto seus vizinhos se mantiveram sob ordens americanas, o resultado se pode comprovar em rápida pesquisa na internet.

Resta saber, agora, sem Fidel e com Raul já bem idoso, o que será do socialismo praticado em Cuba? Quem estará sendo preparado para assumir ou esse modelo político-ideológico, estará fadado ao fim, aos livros de História, daqui há um tempo? Respostas que só serão definidas em outro momento, talvez, não tão distante como se pensa.   

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