“Como você conheceu a Marcela?” – Síntese atual da grande mídia no Brasil

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Ontem (14), em mais um programa “Roda Viva” foi ao ar. O entrevistado da semana foi o presidente Michel Temer. A entrevista foi realizada no Palácio da Alvorada, em Brasília, no último dia 11. O programa foi apresentado pelo jornalista Augusto Nunes e contou com a participação de Willian Corrêa, coordenador geral de jornalismo da TV Cultura e âncora do Jornal da Cultura; João Caminoto, diretor de jornalismo do Grupo Estado; Sérgio Dávila, editor executivo da Folha de S. Paulo; Eliane Cantanhêde, colunista do jornal O Estado de S. Paulo e comentarista da Globonews; e Ricardo Noblat, colunista político d’O Globo e titular do Blog do Noblat.

Por mais que os entrevistadores possam ser considerados “chapa branca”, havia grande expectativa para que, de fato, o bom jornalismo prevalecesse e que o presidente fosse sabatinado, inclusive com perguntas relacionadas às acusações de recebimento de propina, denúncias sobre o Porto de Santos e até o recebimento de um cheque nominal no valor de um milhão de reais. Ledo engano. Nenhuma indagação ou questionamento foi feito. No máximo, algumas referências a operação Lava Jato, mas de forma opinativa ao entrevistado.

No primeiro bloco, Michel Temer respondeu à jornalista Catanhêde dizendo que ele se preocupa, sim, com a saúde e com a educação. No segundo, teve orgulho de dizer que não se fala mais em CPMF. Que agora, em seu governo, está gastando só o que arrecada e que não é preciso criar mais nenhum tributo. Ainda no segundo bloco, disse que “admite, mas lamenta” as ocupações nas escolas. Aproveitou para dizer que fazer a reforma do ensino médio via MP foi uma boa ideia, pois “incendiou o país” e “acendeu o debate“.

O programa permaneceu assim durante os blocos, mas nada, absolutamente nada, superou a última pergunta de Noblat, no último bloco, nos últimos minutos de programa: “Temer, como você conheceu a Marcela?”

Com tantos problemas estruturais, país dividido, crises econômica e política e o “renomado” jornalista usa o seu tempo para esse tipo de pergunta? Qual nível de relevância teria ao país (ainda mais na atual circunstância) tal indagação?

O Roda Viva tornou-se, infelizmente, um programa de amigos, local em que dependendo do entrevistado ou de sua vertente política e ideológica, os entrevistadores mudam a postura ou a pauta. O cenário reflete o serviço que o programa da TV Cultura parece ter cumprido ao presidente: marketing. Grande parte da mídia brasileira parece entorpecida a realidade, com a mudança aguda em suas abordagens diárias. Ainda existe crise? Para a grande mídia, tornou-se passado. Qualquer problema econômico que possa acontecer deverá – pela grande mídia – ser creditada ao presidente eleito Donald Trump. Relincha, Brasil.

1 Comentário

  1. Ia até compartilhar o texto acima, bastante bom até a última frase: “Relincha, Brasil”…. Já basta, Branco, de ofender as pessoas através dos animais…… Se o Brasil realmente relinchasse teria muito mais dignidade do que tem…Os animais estão conosco nesta vida para serem respeitados e não tratados com desprezo e ignorância…

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