Day After da Crise

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A novela protagonizada entre o presidente Jair Bolsonaro contra o próprio partido, promete ser longa e com diversos desdobramentos. Ontem, 17, por exemplo, diversos acontecimentos de forma sequencial dentro do plano político, ocorreram em Brasília. No dia anterior, 16, o presidente tentou emplacar o filho, Eduardo, como o novo líder do PSL, destituindo assim o atual, Waldir Oliveira. Listas foram feitas, mas com quantitativo divergente, o que anulou a manobra de assinaturas em favor do filho do presidente.

O dia seguinte à lista, a baixaria tomou conta. Waldir ao saber do vazamento de um áudio em que o Jair pede apoio para conquistar a liderança do partido, o deputado em reunião fechada, teve o próprio áudio vazado, em que afirma que irá “implodir” o presidente. E ainda chamou o mandatário da nação de vagabundo. Chegamos ao mais baixo nível de nossa política, e esse processo foi antecipado pelo analista político Carlos Andreazza, logo no dia seguinte ao fim da eleição. O citado disse: “elegemos o mais conservador e mais despreparado de nossa história”. Poucos deram atenção a afirmação dele, e hoje vivemos a afirmação dele na prática.

Em outra operação determinada pelo presidente, a deputada federal Joice Hasselmann foi retirada da liderança do governo no Congresso Nacional, por não ter assinado a lista de apoio a Eduardo. Portanto, a crise política está instaurada e ela – de certa forma – partiu do Palácio do Planalto, especificamente do gabinete presidencial. E isso tudo acompanhado, em silêncio, ou pelo menos, sem manifestação pública, por parte dos operadores políticos do governo em relação ao ponto de ebulição do Congresso.

O que será da articulação política após essa crise? O dia seguinte parece não preocupar o presidente. Ainda há projetos importantes de interesse do Executivo, e uma reforma tributária, que após a previdenciária, é o debate da vez no Congresso. Como ficará a base governista na Câmara? O governo já não tinha solidez em sua base de apoio, agora, com o partido do presidente neste autofagismo político, como ficará a vida do Executivo no Congresso?

Já escrevi por diversas vezes que, o Bolsonarismo é isso, é conflito, é fomentador de problemas, de crises. É dessa forma que opera e mantém acesa a chama da militância. A crise com o PSL foi fabricada, é proposital. O partido tornou-se uma barreira ao avanço institucional desse movimento que o presidente é o líder, e que passa à margem das instituições. O país continua estagnado economicamente, com importantes debates que precisam ser feitos, mas, neste momento, a briga doméstica é o que importa a Jair Bolsonaro. O Estado beligerante precisa ser mantido (Leia aqui), mesmo que isso custe a governabilidade no day after.

Sobre a crise dos Bolsonaro e o PSL, indico o meu mais recente artigo sobre o tema (Leia aqui)

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