Eduardo Cunha e a arte de fazer política

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Na madrugada de ontem, fiz grande esforço, mesmo tendo obrigações profissionais logo cedo, para assistir ao programa “Conexão Repórter” do competente jornalista Roberto Cabrini. Na pauta da semana estava o deputado Eduardo Cunha. A proposta do programa não era fazer o trivial, o básico, que seria entrevista com o referido. Mas Cabrini mostrou mais uma vez porque figura entre os melhores do país se tratando de jornalismo. Acompanhou o dia-a-dia de Eduardo Cunha, mostrando a intimidade, intercalando a pauta política com perguntas, por exemplo, sobre a vida de casado, família, etc.

O que me estimulou a escrever este post foi justamente o desempenho e forma de conduzir as respostas promovidas por Cunha. Cabrini é um mestre em indagar, perguntar, sempre bem incisivo, deixando o entrevistado na parede, quase sem ação. Desta vez a missão do nobre jornalista não seria fácil. Em sua frente um dos mais habilidosos políticos que surgiram em Brasília nas últimas duas décadas. No meio do tiroteio verbal, ambos travaram um verdadeiro duelo dialético, como se na ponta da boca, carregassem espadas, uma verdadeira disputa de esgrima de causar inveja aos praticantes desta modalidade esportiva, inclusive olímpica. As perguntas eram as que qualquer cidadão queria fazer se tivesse a oportunidade, bem diretas e contundentes. Mesmo quando se percebia que a resposta não seria dada ou não teria consistência, Cunha conseguir sair “pelas beiradas”, mesmo com Cabrini – na réplica – em sua cola.

Eduardo Cunha ao respondê-las, quase não esbouçava reações. Mantinha o tom, a tranquilidade, percebia-se que até a respiração era controlada. Essa tranquilidade não é à toa. Faz parte da estratégia de quem procura mostrar que não tem nada a ver com qualquer denúncia que lhe é feita. Cunha mostrou-se um grande manipulador, um mestre na arte de dissimular. Em alguns momentos parecia que Cabrini estava sendo “engolido” pelo entrevistado. Em outros momentos, mostrou quem manda, encurralando o entrevistado. Nesse duelo quem ganhou foram os telespectadores que como eu, sacrificaram algumas horas de sono para assistir o programa, que proporcionou uma aula de jornalismo.

Ainda hoje, dentro de algumas horas, o futuro de Eduardo Cunha será decidido no plenário da Câmara dos Deputados, poder que até meses atrás, o referido presidia. Resta saber se a lógica da cassação será mantida ou, mais uma vez, Cunha usará toda a sua habilidade política para postergar o processo ou até mesmo, ser salvo, mantendo o mandato. Outro questionamento que se faz em Brasília hoje é: se Cunha cair, for cassado, fará delação premiada? Irá derrubar quem? Quem ou quais políticos possuem “rabo preso” com o ex-presidente da Câmara?

Pelos corredores do Congresso Nacional e até o Palácio do Planalto, afirmam que se Eduardo Cunha fizer delação premiada, a república brasileira cai. Mesmo com todas as manobras possíveis, Eduardo Cunha foi cassado. A máxima sempre é aplicada na política: “Rei morto, rei posto” e sem mágoas. Assim funciona o jogo político.

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