Em meio ao “tiroteio” dialético em Brasília, Jair precisa ser menos pai e mais presidente

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O governo do presidente Jair Bolsonaro entra em sua 12º semana, e até agora não teve um intervalo de sete dias sem alguma polêmica, algo que gere instabilidade. Brasília virou um “campo de guerra” entre os três poderes da República. Muito dessa artilharia verbal vem da prole, ou seja, dos filhos do presidente.

O mais ativo na produção de ataques é o “02” (Carlos), vereador no Rio de Janeiro, mas que mantém sua atuação política voltada para Brasília. Sua narrativa já ocasionou diversos embaraços ao governo, e já provocou até queda de ministro.

O “01” (Eduardo) é outro que produz polêmicas nas redes sociais. Sua atuação política é exógena, ou seja, para fora, nas relações internacionais. Quem acompanha política de perto, sabe que Eduardo é – de fato – o chanceler. Isso foi comprovado na prática na viagem aos Estados Unidos, quando foi ele e não ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo, que acompanhou o presidente Jair Bolsonaro ao salão oval da Casa Branca, no encontro com Donald Trump.

O “03” (Flávio) é o mais reservado, mas de forma forçada, depois das diversas acusações que recebeu sobre o caso de recebimento de parte de salários de seus assessores, quando era deputado estadual no Rio de Janeiro. Precisou sair dos holofotes para “acalmar” o caso, o que, de fato, aconteceu. Hoje, poucos querem saber por onde anda o Fabrício Queiroz?

De fato, e isso é grave, Jair precisar ser menos pai e mais presidente. Já passou da hora de afastar seus filhos de sua gestão (levando em consideração que nenhum deles tem cargos ou função no governo, todos tem mandato legislativo). Não há mais cabimento, por exemplo, que a sua prole fique emitindo recados em redes sociais, interferindo em ações do governo através de um teclado.

Após a crise que culminou com a saída de Gustavo Bebbiano do Palácio do Planalto, Carlos Bolsonaro se afastou de Brasília. Lembrou que é vereador no Rio de Janeiro. O afastamento durou três semanas, e logo o “02” voltou ao planalto central, desta vez até despachando informalmente no lugar do pai.

O presidente tem o controle sobre os seus filhos? Se sim, deve afastá-los e impor limites pelo próprio bem de seu governo. Nessa hora deve prevaler o papel de mandatário da nação. Jair precisa ser menos pai e mais presidente. Não há outro caminho.

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