Governo sem base. Os ministros são jogados aos leões; o caso Guedes

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Quem conhece minimamente política, sobretudo a partidária, consegue perceber que o governo Bolsonaro não tem base no Congresso Nacional. Nem o PSL, partido do presidente, consegue acompanhar o governo. A referida legenda é um retalho de interesses pessoais, algo já esperado se for analisado desde o seu o processo de formação e disputa eleitoral.

Sequencialmente vários ministros foram ao encontro dos parlamentares; quem foi, sem exceção, pode perceber o quanto o governo que integram é desarticulado politicamente. O exemplo mais emblemático foi o do ministro da Economia, Paulo Guedes, quando esteve semana passada em audiência na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, em que sofreu um verdadeiro massacre da oposição. Esperava-se que o governo montasse a sua “tropa de choque” em defesa da reforma da Previdência e desse vazão à narrativa do ministro, o que na prática não aconteceu. Guedes gritou sozinho!

Primeiro, a oposição ficou numericamente maior, bem maior. Mais de 2/3 das cadeiras reservadas aos parlamentares, foram ocupadas por partidos que são contra a reforma. Quem esteve por parte do governo (maioria do PSL), nada ou pouco fez. Em sua defesa oral, Paulo Guedes foi bem. Apresentou dados, fez comparações e “vendeu” a ideia da proposta. Mas sem apoio de quem deveria defender os interesses do governo no parlamento, Guedes ficou isolado e tentando se defender de todas as formas.

O ministro foi enfático: “O governo gasta dez vezes mais com Previdência do que com educação. Afirmou ainda que o sistema atual está “financeiramente condenado” e é “perverso”. Também falou sobre o plano de cobrar grandes devedores. Mas nada disso amenizou a atuação da oposição, que nada mais fez do que o papel que lhe cabia.

Dias antes de ir à CCJ, Paulo Guedes já demonstrava insatisfação contra o próprio governo, da falta de apoio do Palácio do Planalto em relação à Reforma da Previdência. Ele sinalizou que pode até mesmo deixar o cargo caso suas propostas sejam derrotadas. O ministro foi à Casa para discutir o endividamento dos estados e apresentar as prioridades do Ministério da Economia. O ministro disse que, caso não haja entusiasmo com seus projetos, não irá “obstaculizar” o trabalho do presidente e do Congresso.

E continuou: “Voltarei para onde eu sempre estive, tenho uma vida fora daqui. Venho para ajudar, acho que tenho umas ideias interessantes. Aí o presidente não quer, o Congresso não quer. Vocês acham que eu vou brigar para ficar aqui?” – A ameaça de Guedes em deixar o cargo nos remonta ao período de campanha, em que um dos maiores questionamentos que se fazia era se Guedes saísse, como ficaria o governo, tamanha era a dependência do então candidato Bolsonaro em relação ao referido economista.

A narrativa do ministro da Economia não passa de pressão, para valorizar o seu trabalho e equipe junto ao Palácio do Planalto. Mas Guedes sabe que o presidente não faz questão de fazer política em favor da reforma da Previdência. Sem base no Congresso Nacional – isso depois de mais de 100 dias de gestão – os integrantes do governo estão sendo jogados aos leões do Congresso. 

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