Impressões sobre o início da campanha presidencial na TV

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Entre as responsabilidades do cotidiano, com esforço, consegui assistir ao horário eleitoral gratuito dos presidenciáveis. Na ordem de exposição (entre os que possuem o tempo superior a trinta segundos).

Henrique Meirelles

O ex-ministro de Michel Temer, focou no jargão que deverá ser a sua marca: “Chama o Meirelles”, é dessa forma que se apresentará ao eleitor. O seu programa mostrou a sua trajetória profissional e política, passando pelos governos do PT (Lula e Dilma) e finalizando (sem ênfase nas peças visuais) no governo Temer. O objetivo é claro: distanciar a sua imagem do atual presidente.

Sua estratégia de campanha: colar junto ao eleitor a imagem de uma pessoa que sempre foi chamada para resolver problemas, sobretudo, na área econômica. Sua gestão no Banco Central será trabalhada como um grande feito, principalmente no gerenciamento da política monetária, que proporcionou ao país anos sucessivos de pujança econômica.

O que pesa contra será o seu discurso “economês”, ou seja, uma linguagem técnica que não chama atenção do eleitor, além de uma oratória completamente fora dos padrões eleitorais.

Ciro Gomes

O ex-ministro terá um desafio. Apresentar todo o seu emaranhado de propostas e soluções aos inúmeros problemas nacionais em 40 segundos. Portanto, o formato de seu horário será voltado a falas, discursos e defesas de projetos que chamem a atenção do eleitorado. Em sua primeira aparição, a sua proposta de limpar o nome de 63 milhões de brasileiros do Serviço Proteção ao Crédito (SPC) foi o destaque. Ciro já é conhecido; já disputou duas eleições presidenciais e sempre tem seu nome citado pelo Brasil; deste modo, não cabe perder os seus poucos segundos no horário eleitoral para tal apresentação.

Geraldo Alckmin

O ex-governador de São Paulo iniciou o seu elástico horário eleitoral, apresentado a sua história política. Focou em sua formação médica, e nas escalas que seguiu desde quando vereador em Pindamonhangaba, interior de São Paulo, até se tornar o governador de São Paulo, eleito duas vezes. Em sua biografia política foi dispensado o ano de 2006, quando deixou o Palácio dos Bandeirantes para concorrer a Presidência da república, sendo derrotado no segundo turno pelo ex-presidente Lula.

O seu elástico tempo permite um longo processo de apresentação de suas gestões no governo de São Paulo. Essa será a sua plataforma de campanha. Seu marketing, a exemplo do esquecido ano de 2006, lhe apresentará na campanha só como  “Geraldo”, abdicando do seu sobrenome.

Após um longo período de apresentação de suas ações no Palácio dos Bandeirantes, iniciou o que deverá ser vinculado sistematicamente: ataques diretos ou indiretos ao candidato Jair Bolsonaro (PSL). As investidas do tucano seguem a estratégia de descontruir o deputado federal, o seu principal obstáculo eleitoral de crescimento e de ida ao segundo turno. Alckmin terá mais tempo de televisão do que a soma de todos os seus adversários. Seus ataques a Bolsonaro deverão ser incisivos e maçantes, com o detalhe de não serem replicados pelo candidato do PSL em seu horário de televisão (só terá oito segundos).

Fernando Haddad

Com a impugnação da candidatura do ex-presidente Lula pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, irá substituí-lo. No primeiro programa, Lula apareceu em aparições gravadas (entrevistas, discursos e aparições em eventos). A narração do programa foi feita por Haddad.

A velha tática do apelo emocional do PT está de volta. Peças com depoimentos serão a tônica dos próximos programas. Assim como a resistência, o apoio, a ONU. O áudio e imagem de Haddad é o firmamento do processo de conquista, de transferência de votos. O PT segue a estratégia de Lula ser Haddad e Haddad ser Lula. Resta saber se o eleitorado entenderá isso e colocará o ex-prefeito de São Paulo no segundo turno; apesar que isso é uma tendência.

Marina Silva

Com pouco tempo de televisão, a ex-ministra terá um desafio de condensar as suas propostas e mostrar ao eleitorado a sua viabilidade enquanto candidata. Em sua primeira aparição, se dirigiu às mulheres, se apresentou como uma mulher vencedora (o que de fato é verdade, levando em consideração a sua biografia), mostrando-se como defesora do eleitorado feminino.

Os outros candidatos, possuem menos de 30 segundos, portanto, torna-se inviável analisar, haja vista, que o tempo não permite apresentação de ideais, propostas e formato.

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