Jatene e seu histórico de baixo investimento. A perversa forma tucana de governar. Parte II

Compartilhe nas redes sociais.

Ainda sobre o levantamento feito pelo jornal Diário do Pará, ficou comprovado que todos investiram muito mais que a última gestão de Jatene. Em 1990, a receita per capita do então governador Hélio Gueiros (já falecido) ficou em apenas R$ 519,51 atualizados, mas ele investiu 24% – diz a mensagem que enviou à Assembleia Legislativa. Em 1991, a receita per capita do então governador Jader Barbalho, hoje senador, foi ainda menor: R$ 475,14. Mas ele investiu 21%. Já em 1998, na sua melhor marca, o então governador Almir Gabriel investiu 16,57%, apesar de possuir uma receita per capita de R$ 1.731,72. Em 2010, também em seu melhor desempenho, a governadora Ana Júlia Carepa investiu 11,15%, com uma receita per capita de R$ 2.595,68.

E Simão Jatene? Em seu melhor desempenho, que foi durante a campanha eleitoral do ano passado, Jatene investiu apenas 9,35%, apesar de possuir uma receita per capita de R$ 2.920,18. Ou seja: cerca de 6 vezes maior que a dos ex-governadores Hélio Gueiros, que investiu 24%, e Jader, que investiu 21%; e superior às receitas por habitante de Almir Gabriel e Ana Júlia, que também investiram mais do que ele (16,57%, Almir e 11,15%, Ana Júlia). E mais: em sua pior marca, que foi em 2016, os investimentos de Jatene ficaram em apenas 4,37%, o menor percentual de um governador em pelo menos 28 anos, apesar de a receita per capita ter atingido R$ 2.924,70, uma das maiores de todo esse período. 

Naquele 2016, quando o Pará bateu no fundo do poço, o investimento inferior a R$ 1 bilhão chegou a ser menor, em termos nominais e sem atualização, até ao que o próprio Jatene investiu dez anos antes, em 2006. Foi como se o Pará recuasse no tempo, apesar de todo o expressivo crescimento populacional desde então (mais de 1 milhão de novos habitantes).

Também não vale ao ex-governador ir buscar justificativas na crise econômica mundial: os investimentos de Ana Júlia, que obteve uma média superior a dele, também ocorreram durante a crise mundial. E quanto aos investimentos de Hélio Gueiros e Jader Barbalho, nem se fala: ambos enfrentaram uma hiperinflação que fazia com que os preços subissem 3,4 vezes por dia, reduzindo a pó qualquer orçamento público ou familiar. O fato é que, além do sucateamento da rede pública e da ampliação do déficit de atendimento à população, ainda será preciso medir, no futuro, o impacto desses baixos percentuais na própria economia paraense.

A coisa toda é tão impressionante que Jatene “conquista” nada menos que 7 de 10 colocações, em um ranking dos piores percentuais de investimento dos governadores paraenses, entre 1990 e 2018, ou seja, ao longo de 28 anos. Ana Júlia leva o 6º lugar, por 2007; Almir leva o 3º e o 9º lugares, por 1995 e 1996. Mas Jatene “vence” o 1º,2º,4º,5º,7º,8º e 10º lugares, pelos baixos investimentos de 2011 a 2017 – ou seja, praticamente a totalidade de seus dois governos.

A exceção foi o ano eleitoral de 2018, quando ele tentou eleger o seu sucessor, o deputado estadual Márcio Miranda, e os investimentos atingiram 9,35% da despesa. Mesmo assim, esses 9,35% não figuram nem entre os 10 melhores percentuais desses 28 anos e estão abaixo do que ele mesmo prometeu.

PROMESSA

“Um governo que não se dispuser a usar pelo menos 10% do que tem nos cofres em investimentos não terá feito absolutamente nada” – disse Jatene, em abril de 2011, ao lançar a sua Agenda Mínima.

Na ocasião, ele prometeu destinar a investimentos pelo menos 10% das receitas de sua administração. Tais receitas somaram mais de R$ 188,6 bilhões (atualizados), entre 2011 e o final do ano passado. No entanto, os investimentos ficaram em R$ 11,7 bilhões, ou apenas 6,24% do total. Uma desempenho que sacrifica todo o Pará. O desmonte do Estado está ai, é realidade.

Fonte: Diário do Pará (com adaptações).

2 Comentários

Deixe uma resposta