Lava-Jato, um projeto de poder

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A Lava Jato passou para a história brasileira como sendo a maior operação de combate à corrupção. Através dela, de fato, pessoas poderosas passaram a serem presas, algo até então pouco visto no Brasil. Esse é o lado mais conhecido da referida operação, iniciada em 2013, que a fez ter uma considerável base de apoio popular.

Todavia, nos dias atuais, passou-se a conhecer um outro lado, a dos bastidores, e que mostrou o modus operandi dos coordenadores da Lava Jato. O site “the Intercept Brasil” (TIB), de responsabilidade do renomado jornalista norte-americano Glenn Greenwald, Pulitzer de 2014, há um mês vem tornando pública a forma de como agia o Ministério Público Federal, aqueles desta instituição que compõem a Força Tarefa da Lava Jato e o então juiz federal da 13° Vara de Execuções Penais de Curitiba, Sérgio Moro. As mensagens divulgadas são surpreendentes, justamente por mostrarem como ocorria essa relação, digamos nada republicana.

De quebra, dentro dos limites legais do chamado Estado de Direito, a relação que foi mostrada entre o então juiz Moro e o procurador Deltan Dallagnol, passam à margem do que seria ético e até legal. Ou seja, o magistrado passou dos seus limites funcionais, indo além de suas atribuições, operando (conforme mensagens divulgadas) como um componente acusatório, ou melhor, o chefe da acusação. Algo impensável para um juiz, que deveria ser isento, sem envolvimento com as partes do processo. Essa relação poderia anular a decisão na qual o magistrado proferiu sentença, neste caso, a questão do imóvel Triplex, no Guarujá, em que condenou o ex-presidente Lula a nove anos e meio de prisão (sentença determinada pelo juiz Moro e que foi ampliada em segunda instância, pelos desembargadores do TRF-4).

Em diversos trechos divulgados pelo TIB, hoje em parceria com diversos veículos de comunicação do país, fica claro que a operação Lava Jato tornou-se um projeto de poder. Seus operadores agiram conforme, por exemplo, o calendário eleitoral e o tabuleiro político, privilegiando uns em detrimento a outros. Além de ter um perfil altamente parcial, conforme denunciado por este blogueiro por diversas vezes.

Inegavelmente, a Lava Jato, interferiu, por exemplo, na última disputa eleitoral, ocorrida em 2018. No caso do pleito presidencial, essa influência está mais do que clara, evidenciada pelos desdobramentos da operação às vésperas da eleição.

Outro exemplo, mais retrógrado, ocorrido em 2016, a Lava Jato, produziu derrocada histórica do PT nos pleitos municipais. À época, a referida operação estava centrada em muitos nomes do Partido dos Trabalhadores, o que  se refletiu no  resultado daquela eleição. Naquele momento o país ainda vivia sob a bipolaridade protagonizada pelo PT e PSDB, e que pela ação da Lava Jato, os tucanos foram os maiores beneficiados.

Não há como negar que, a Lava Jato, teve os seus méritos, mas claramente atendeu a interesses políticos e a um projeto claro de poder. Primeiro deles era tirar o PT do poder; segundo eliminar a possibilidade de Lula voltar a presidir o país (o que de fato aconteceria, tendo como base as pesquisas de opinião que foram realizadas, em 2017). 

A Lava Jato, no campo político-eleitoral, em um primeiro momento beneficiou o PSDB; em um segundo momento, possibilitou a ascensão e chegada ao poder de Jair Bolsonaro. Agora com as divulgações do “the Intercept Brasil”, percebe-se claramente haver prova de que ocorreram desvios de conduta, de ética, com intuito de atender interesses políticos. O conluio entre membros do MP e o ex-juiz Sérgio Moro foi algo grave, um atentado claro ao Estado de Direito. A Lava Jato está desnuda, e a cada conteúdo divulgado fica claro que o seu objeto maior era atender a um projeto de poder, em que o combate à corrupção era o caminho a ser percorrido, mesmo que fosse seletivo, parcial. 

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