Na disputa pelo governo, o resto do Pará só assiste o que será decidido pela RMB. A campanha escancara as diferenças regionais

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Não há registro igual para o que está acontecendo nesta eleição ao governo do Pará: a concentração excessiva de ações das duas principais candidaturas na Região Metropolitana de Belém (RMB). Conforme abordado pelo blog em diversos textos, bem antes da eleição, o candidato Helder Barbalho (MDB) fincaria sua posição na referida região. Sua derrota em 2014, dentre vários erros (já citados pelo blog) esteve a alta rejeição na capital e arredores. E foi justamente a RMB quem salvou os tucanos da derrota na última eleição.

Seguindo a estratégia, Helder concentra as suas ações de campanha em Belém. A sua agenda (enviada diariamente por sua assessoria ao blog) é a comprovação desta afirmação. Seguindo quase um padrão de logística desde o início da campanha, o candidato do MDB, fixa posição na RMB no fim de semana (carreata, caminhada e muitas ações “visual”), sua saída para o interior acontece quase sempre entre terça-feira a sexta-feira. Nesta logística dificilmente Helder conseguirá fazer campanha em todos os 144 municípios paraenses, ou se fizer, estará só “passando”. Em Parauapebas, por exemplo, o quinto maior colégio eleitoral do Pará, o ex-ministro deverá comparecer em única oportunidade durante a campanha.

Helder Barbalho sabe que ganhará em diversas regiões paraenses, e possivelmente voltará a perder na RMB. A questão é diminuir ao máximo a sua rejeição, para que a derrota, no caso da RMB, tenha menos peso do que teve há quatro anos. Portanto, a palavra “presente”, neste caso, no período de campanha, se resumirá a peças publicitárias, haja vista, que na prática ela não será possível.

Seguindo a estratégia costumeira do PSDB, o candidato do DEM, Márcio Miranda, também finca posição na capital e seus arredores. A RMB sempre foi a salvação dos tucanos nas disputas ao governo do Pará. O exemplo mais clássico até o momento foi a última disputa, em 2014. Isso antes do desgaste recorde do governo Jatene e as péssimas gestões que os prefeitos tucanos Zenaldo Coutinho e Manoel Pioneiro, realizam em Belém e Ananindeua, respectivamente.

Diferente de quatro anos, agora o MDB se fortaleceu na região metropolitana. O desgaste tucano na área mais densamente povoada do Pará é enorme, acima do que apontaram, por exemplo, as pesquisas de consumo interno encomendadas pelo partido. Portanto, o “porto seguro” do PSDB e aliados já não é o mesmo e nem reúne as mesmas garantias de antes. Sabendo disso, a campanha de Márcio Miranda tenta buscar votos fora em agenda curta, quando faz, é na mesma frequência de seu principal adversário.

A eleição é estadual, ou seja, abrange os 144 municípios paraenses distribuídos em pouco mais 1,2 milhão de quilômetros quadrados; mas a campanha das duas principais candidaturas parecem se resumir na Região Metropolitana de Belém, que reúne quase 50% de todo o eleitorado paraense. A eleição de 2018 mostra que existem duas regiões no Pará: a RMB e o resto; a eleição e as estratégias de campanha mostram isso. Enquanto um candidato quer avançar na capital e em seus arredores; o outro quer manter o eleitorado, ou, pelo menos, diminuir a perda. Enquanto isso, o resto do Pará só assiste – de longe – a definição de seu futuro.

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