O isolamento de Lorenzoni e a supremacia militar no novo governo

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O dia seguinte à vitória eleitoral de Jair Bolsonaro, o deputado Onyx Lorenzoni (DEM) se colocava como o homem forte, o grande personagem do futuro governo; já definido pelo presidente eleito como ministro Chefe da Casa Civil. O deputado gaúcho se credenciava a ser o único a ter força para rivalizar com o todo poderoso Paulo Guedes, o futuro ministro da Economia. Porém, denúncias sobre o recebimento de propina em esquema de Caixa 2 por parte de Lorenzoni, além de declarações desastrosas sobre o caso e outros que comentou, começaram a enfraquecer o parlamentar gaúcho.

Concomitantemente a isso, a crítica especializada de Brasília afirmou que a capacidade de Onyx para o cargo está muito abaixo do esperado. O isolamento interno de Lorenzoni tomou forma quando o general da reserva Augusto Heleno tornou-se o mentor e a figura mais próxima do presidente eleito, deslocando assim o deputado, que achou que poderia ocupar tal espaço. O tiro de misericórdia foi a futura nomeação de outro general, Santos Cruz para a Secretária de Governo.

Tal decisão poderá na prática esvaziar a Casa Civil, e consequentemente os poderes de Lorenzoni. Segundo informações de interlocutores do presidente eleito, o objetivo da nomeação de Cruz, é torná-lo um gerente do governo, passando a ter o papel de coordenador dos ministérios, deixando, portanto, a cargo de Onyx somente a relação política do Palácio do Planalto com o Congresso Nacional, ou seja, na prática esvaziando a Casa Civil, a tornando-a exógena.

As atribuições funcionais da Casa Civil e da Secretaria de Governo, nem sempre são bem definidas, isso depende do perfil do governo. Por exemplo, atualmente, é o secretário de Governo que articula com o Congresso Nacional; o que poderá ser invertido na nova gestão, segundo os sinais que estão ecoando do processo de transição e de bastidores.

A presença dos militares no primeiro escalão cresce a cada semana com a divulgação de novos nomes que estarão auxiliando diretamente o presidente eleito. Quanto a isso não há surpresa, era esperado, uma tendência natural, inclusive propagada durante toda a campanha. A questão é saber se a futura relação entre civis e militares será tranquila ou poderá, quem sabe, criar uma esquizofrenia institucional ao novo governo. O presidente eleito já mostrou a sua pequenez política frente ao processo de montagem de seu governo. O tempo dirá.

1 Comentário

  1. O futuro ministro da Justiça, Sérgio Moro, afirmou nesta segunda-feira (3) em uma palestra na Espanha que a imagem do presidente eleito Jair Bolsonaro é “distorcida” e que não há “risco de autoritarismo” nem “risco à democracia” no Brasil.
    Esse “fragmento” do G1 da falar d juiz Sérgio Moro representa claramente como os futuros ministros d presidente Bolsonaro “blindam” sua Gestão.O Onyx lorenzoni já vem encabeçando um ministério da Articulação política…
    As “falas” dos 2 superministros ñ são agregadas.
    É LAMENTÁVEL que nessa indicação pra os ministérios ñ tenhamos “nomes” surgidos da experiência c o trato d política d coalizão-já parafraseando F.H.C- uma prática cotidiana da politica Brasileira.TODAVIA temos o viés da politica fisiológica qe degrada o fortalecimento do poder executivo.

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