O listão da Odebrecht e a desmoralização da classe política

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Há meses quando foi anunciada uma longa lista de recebimento de propina, repassada pela construtora Odebrecht, que Brasília, os brasileiros e a mídia aguardam pelos nomes que compõem a referida listagem. Se sabia que, a divulgação iria estremecer as bases de sustentação da capital federal e do governo central.

Quando alguns nomes começaram a vazarem, o juiz Sérgio Moro, responsável pela operação Lava Jato, decretou sigilo total a lista. Pela parcialidade escancarada do referido magistrado, agora, com o teor divulgado, através, finalmente, das delações dos executivos da Odebrecht, sabe-se o motivo de decretar tal impedimento de acesso ou torná-lo público. O receio de Moro era que os nomes que constavam na lista pudessem derrubar o governo Temer, o que, de fato, poderá ocorrer.

A lista é a comprovação clara e transparente da podridão que a classe política brasileira se tornou e isso não é de hoje. Mostra também a promiscuidade entre o público e o privado. Escancara a corrupção endêmica que tomou de refém o país e que parece sem controle.

A corrupção tornou-se algo organizado, com procedimentos complexos. A forma como a referida construtora se relacionava com governos impressiona. Havia dentro das dependências da Odebrecht sala e equipe para repasse e acertos nada republicanos. Ou seja, o procedimento de “caixa 2” era institucionalizado por esta e outros empreiteiras.

Conheça os nomes citados na lista da Odebrecht e os valores que teriam sido repassados, de acordo com o site “BuzzFeed”:

  1. Michel Temer – R$ 10 milhões
  2. “Caju”: senador Romero Jucá (PMDB-RR), senador – R$ 22 milhões para campanhas
  3. “Justiça”: Renan Calheiros (PMDB-AL), senador – teria se beneficiado por parte dos R$ 22 milhões
  4. “Índio”: Eunício Oliveira (PMDB-CE), senador – também teria se beneficiado com o valor
  5. “Primo”: Eliseu Padilha (PMDB-RS), ministro – teria centralizado arrecadações para Temer
  6. “Las Vegas”: Anderson Dornelles (ex-assessor de Dilma) – R$ 350 mil
  7. “Angorá”: Moreira Franco, secretário – recursos para Temer
  8. “Caranguejo”: Eduardo Cunha (ex-deputado) – R$ 7 milhões
  9. “Cerrado/Piqui”: Ciro Nogueira (PP-PI), senador – R$ 5 milhões para campanhas do PP
  10. “Polo”: Jaques Wagner (ex-ministro) – R$9,5 milhões
  11. “Gremista”: Marco Maia (PT-RS), deputado – R$ 1,3 milhão
  12. “Babel”: Geddel Vieira Lima (ex-ministro) – R$ 1,5 milhão
  13. “Bitelo”: Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), deputado – R$ 1,5 milhão
  14. “Campari”: Gim Argello (ex-senador) – R$ 1,5 milhão
  15. “Gripado”: José Agripino (DEM-RN), senador – R$ 1 milhão solicitado por Aécio Neves
  16. “Botafogo”: Rodrigo Maia (DEM-RJ), deputado – R$ 100 mil
  17. “Misericórdia”: Antônio Brito (PSD-BA), deputado – R$ 430 mil
  18. “Ferrari”: Delcídio do Amaral (ex-senador) – R$ 550 mil
  19. “Corredor”: Duarte Nogueira (PSDB), prefeito de Ribeirão Preto – R$ 600 mil
  20. “Todo Feio”: Inaldo Leitão (PP-PB) – R$ 100 mil
  21. “Jovem”: Adolfo Viana (PMDB-BA), deputado estadual – R$ 50 mil
  22. “Feia”: Lídice da Mata (PSB-BA), senadora – R$ 200 mil
  23. “Comuna”: Daniel Almeida (PCdoB-BA), deputado R$ 100 mil
  24. “Goleiro”: Paulo Magalhães Júnior – R$ 50 mil
  25. “Diplomata”: Hugo Napoleão – R$ 100 mil
  26. “Moleza”: Jutahy Magalhães – R$ 350 mil
  27. “Velhinho”: Francisco Dornelles (PP), vice-governador do Rio de Janeiro – R$ 200 mil
  28. Carlinhos Almeida – R$ 50 mil
  29. João Almeida – R$ 500 mil
  30. Rui Costa (PT), governador da Bahia – R$ 10 milhões
  31. Paulo Skaf (PMDB), presidente da FIESP – teria se beneficiado com R$ 6 milhões da verba acertada com Temer.

A lista é maior e ainda outros nomes deverão aparecer. Mas em sua primeira prévia já se tem a noção do tamanho de sua abrangência e a lama em que a classe política se meteu. E ainda outros desdobramentos virão. Aguardem.

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