O marketing eleitoral e o dia seguinte: o dilema dos governos

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O marketing é uma poderosa arma na disputa eleitoral. Ele poderá levar uma gestão ruim ou mal avaliada à vitória, como o contrário também é verdadeiro. Exemplos não faltam. Na disputa pelo governo do Pará, em 2006, por exemplo, estava Almir Gabriel (que já havia governado duas vezes e tentava retornar ao Palácio dos Despachos pela terceira vez, isso com o seu indicado, Simão Jatene no cargo de governador, portanto, podendo disputar à reeleição) contra a então senadora petista, Ana Júlia, que após um acordo costurado com Jader Barbalho, lançou-se candidata ao governo. O resultado todos sabem, o PT venceu com o apoio do então PMDB e governou o estado do Pará por quatro anos (2007-2010).

Voltando a proposta do texto… O marketing usado na campanha petista, em 2006, foi a de um Estado presente. Peças publicitárias como “Pará, terra de direitos”, “Meu Pará, meu Estado, minha terra boa, a grande obra é melhorar a vida de cada pessoa”. As chamadas pegaram. O eleitorado comprou a ideia de um “Estado novo”, um “novo governo” estaria chegando, e mudaria a realidade do Pará (o que está ocorrendo nesta campanha). Na prática, o conhecido autofagismo interno petista, além da falta de habilidade política de construção e manutenção da base do governo, ocasionaram uma gestão muito aquém do esperado, ou a que o marketing prometia. Peças publicitárias bem feitas, com grande apelo emocional, além dos costumeiros acordos, levaram a vitória, porém mais à frente a derrota.

Em Parauapebas, podemos citar como exemplo a atual gestão do prefeito Darci Lermen. Em meados de agosto de 2016, quando iniciou a campanha pela prefeitura de Parauapebas, tive acesso ao conteúdo publicitário e a linha que o marketing de campanha seguiria. O carro-chefe foi o termo “Oportunidade”, ou seja, um governo que iria promover uma vida melhor aos parauapebenses, sobretudo, na geração de emprego. Em um município assolado por uma grave crise econômica (ligada a sua quase total dependência de um único setor produtivo), a peça publicitária foi perfeita. Porém, ao ter acesso ao seu conteúdo e direcionamento, escrevi à época (o que consta nos arquivos do blog) que tal proposta seria perfeita para ganhar a eleição (o que na prática se concretizou), porém, seria a “pedra no sapato” da atual gestão, o que, também na prática está ocorrendo. Tanto que a Comunicação teve que abandonar antes do fim do primeiro ano de mandato a linha publicitária de “Governo da Oportunidade”. Na campanha de 2020, Darci Lermen será muito cobrado por essa proposta que possivelmente (ainda faltam dois anos e quatro meses) não conseguirá cumprir, justamente por ela ser muito abrangente e que depende de outros fatores, por exemplo, uma gestão competente, o que parece não ser o caso até o momento.

O marketing faz o seu papel: o de vender uma ideia, um produto, um projeto, etc. O desafio é torná-lo real, prático e realizável na gestão, ou seja, quando chega-se ao poder, ao governo.

No próximo post, será tratado especificamente do caso da candidatura de Helder Barbalho e seu perigoso marketing.

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