O PT continua a esticar ao máximo a corda. O risco da migração de votos está posto

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Desde quando iniciou a ação judicial contra o ex-presidente Lula, que o Partido dos Trabalhadores deixou claro (sob ordens do próprio) que levaria o processo até o fim. Recorreria a todas as instâncias. Após Lula ser condenado, tornado inelegível pela Lei da Ficha Limpa, o PT continua a mantê-lo como o seu candidato à Presidência da República.

O ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, foi escolhido por Lula como o vice de sua chapa. Com a aguardada inelegibilidade, Haddad assume o lugar de Lula e tem como vice, Manuela D’Ávila. O ex-presidente teve a sua candidatura impugnada no último dia 31, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que decidiu que o PT terá dez dias para substituir Lula, prazo que se encerrará no próximo dia 11.

Todavia, o partido decidiu que não irá, pelo menos agora, retirar Lula da disputa. A legenda recorreu novamente à Organização das Nações Unidas (ONU) para que Lula tenha o direito de manter a candidatura. A defesa do ex-presidente entrará ainda com dois recursos no Supremo Tribunal Federal (STF), um na esfera criminal e outro na esfera eleitoral. O objetivo é anular a obrigação de substituição de Lula, conforme determinado pelos ministros do TSE.

Na esfera político-eleitoral a manutenção do nome do ex-presidente terá qual impacto? A estratégia de esticar a corda ao máximo está correta? Retirar de vez o nome de Lula como candidato na disputa e lançando o de Haddad, com o objetivo de colar a imagem dos dois junto ao eleitorado, com total apoio de Lula, não teria outro efeito? A tão propagada transferência de votos aconteceria logo ou em doses homeopáticas? Ou não acontecerá como esperado?

As novas pesquisas apontam leve crescimento de Haddad. O eleitorado ainda não “comprou” a ideia da troca, do ex-prefeito de São Paulo ser o substituto. O que se percebe na prática é outro cenário: o crescimento de Ciro Gomes nas pesquisas. O ex-governador cearense já aparece na segunda posição, empatado na margem de erro com Marina Silva. Portanto, pode-se afirmar que a impugnação da candidatura de Lula, pode estar fomentando um efeito migratório de votos da seara petista para Ciro.

A colunista de politica da Jovem Pan, Vera Magalhães, ao analisar o cenário pós-impugnação da candidatura de Lula, afirmou que o crescimento de Gomes é explicado tecnicamente por algo chamado por ela de “voto de escala”. Na prática, seria, por exemplo, um processo de transição, talvez, momentâneo, em que o eleitor sabendo do impedimento de Lula, com a indefinição do PT sobre quem será o seu candidato, direciona a sua intenção de voto para Ciro Gomes por uma proximidade ideológica, de discurso e projetos. E por que esse processo favorável ao ex-governador pode ser momentâneo? Justamente porque ainda não se sabe o poder de transferência de Lula para Haddad.

Gomes já percebeu esse vácuo no território petista. Seu marketing já criou peças publicitárias em que fixa ao eleitorado a ideia de que sem Lula, agora é Ciro. A corda petista continuará a ser esticada até quando? Essa tática funcionará? Ou se mantida estará fomentando o espraiamento dos votos de Lula entre os outros candidatos? A última pesquisa confirma o diagnóstico.

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